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Entendendo o Plano de Parto

O Plano de Parto é recomendação Prioritária da Organização Mundial da Saúde desde 1986, como forma de garantir um atendimento respeitoso à parturiente no momento do nascimento.

Você é gestante?
Você tem um plano de Parto?
Você sabe o que é um plano de parto?
Seu médico concorda com o seu plano de parto?
Você sabia que tem o direito, adquirido por lei, de ter um acompanhante no momento do seu parto?
Quem estará com você? Seu médico sabe disso?
Você sabe quais são as condutas e os procedimentos médicos que você e seu bebê passarão no momento do parto e nascimento?
Você sabia que pode e deve escolher pelos procedimentos médicos?
Entenda melhor cada um e diga ao seu médico, quais procedimentos você concorda e com quais discorda, através de um Plano de Parto.
Converse com seu médico antecipadamente sobre esses procedimentos e diga-lhe o que serve para você.

Maternidade consciente começa na gestação!


PARA QUE SERVE PLANO DE PARTO?

·         Levar você a conhecer e pensar sobre cada momento do seu parto, podendo fazer escolhas que se referem ao seu corpo e ao seu bebê;
·         Deixar suas preferências bem claras para a equipe que vai te acompanhar;
·         Evitar imprevistos de difícil solução.


O QUE PODE ACONTECER SE EU NÃO TIVER UM PLANO DE PARTO?

Imagine-se na seguinte situação: você, em trabalho de parto, chegando na maternidade. Enquanto seu marido fica na recepção preenchendo papéis você é levada para dentro, para ser preparada. Um pouco mais tarde te informam que ele não vai poder entrar porque a maternidade não permite. Informam também que ele está “aprontando uma confusão” lá na portaria e já chamaram a polícia.
Outra situação: imagine-se em trabalho de parto, chegando de madrugada na maternidade. A recepcionista fica espantadíssima de você estar em trabalho de parto, pois as mulheres que têm o seu convênio geralmente vêm com cesárea marcada. A sala de pré-parto da maternidade é só para gestantes do SUS e você deveria ter uma carta do médico junto com uma autorização do convênio para poder ser internada diretamente no quarto. Enquanto ela tenta resolver o impasse você vai ter que esperar na recepção.
ACHOU ABSURDO? POIS SAIBA QUE ACONTECE!
Para evitar imprevistos como estes, é melhor você fazer um Plano de Parto e conversar com seu médico sobre cada passo do trabalho de parto. Se você não tem convênio médico vá até a maternidade e se informe sobre todos os passos pelos quais passam as parturientes, desde a internação até a alta.

O QUE PODE CONSTAR DO PLANO DE PARTO?

Tudo, desde as primeiras contrações até os primeiros dias pós-parto. O plano de parto é uma lista sobre os acontecimentos possíveis em um parto e sobre os quais você pensou. Pode ser feito em forma de carta ao médico e a instituição como já é feito em alguns países, ou simplesmente ser uma reflexão sobre o que você aprendeu e deseja sobre seu parto. Não é uma lista de “mandamentos” para os profissionais muito menos um “alvará” para sua desobediência frente à equipe. É uma organização de idéias para facilitar o diálogo com o profissional que te acompanhará.
Em que maternidade ou Casa de Parto você quer ter o bebê? Você gostaria de ficar lá com um acompanhante? Gostaria de ter uma doula? Irá receber lavagem intestinal, raspagem dos pelos, soro com hormônio para acelerar as contrações, anestesia, ficar sem beber líquidos? O que a medicina baseada em evidência e a OMS (Organização Mundial de Saúde) tem a dizer sobre estes procedimentos que vemos serem utilizados como rotina? Gostaria de amamentar logo após o parto e garantir alojamento conjunto logo a seguir ou concorda em esperar por 6 horas ou mais até poder se reencontrar com o bebê? Em caso de cesárea, gostaria de ser “apagada” após a saída do bebê? Ou gostaria de segurá-lo com a ajuda do seu acompanhante após o parto? Quais procedimentos você aceita e quais preferia evitar?
Pequenos detalhes e enormes diferenças que podem garantir um parto único, feliz e ativo, trazendo maior segurança para mãe, pai e filho. Para a equipe, pode ser um norte para melhor poder atendê-la e até mesmo repensar as práticas que vem sendo feitas rotineiramente.

COMO FAZER MEU PLANO DE PARTO?

Além de saber dos procedimentos de praxe do seu obstetra ou parteira e da maternidade, busque informações em livros e sites de confiança. Listas de discussão na internet e cursos de preparação para o parto podem ajudar bastante. Se puder, converse com ex-gestantes que tiveram parto no mesmo local, ou com o mesmo profissional. Aos poucos o que você quer e não quer no seu parto vai ficando mais claro e você pode ir conversando e negociando com seu médico o que é possível e o que não é.

QUANDO DEVEMOS LEVÁ-LO PARA O MÉDICO?

Desde a primeira consulta você pode começar a fazer perguntas sobre como o médico costuma agir durante o parto de suas pacientes. Para levar tudo por escrito é melhor que seja a parir do sexto mês, e para deixar uma cópia para o médico é melhor estar bem próximo da data prevista. Isto porque suas preferências podem sofrer mudanças.

QUAL SERÁ A REAÇÃO DO MÉDICO?

Deve ser a melhor, pois a relação médico/paciente deve ser aberta e honesta. Os bons médicos já estão acostumados a ter com seus pacientes esse tipo de conversa.
Se você não se sente à vontade nem para conversar com ele ou se ele reagir mal é melhor desistir logo e procurar outro!

O seu plano de parto deve estar de acordo com a sua personalidade e experiência de vida, sua cultura, sua família, gravidez anterior se houver e com as condições que a maternidade e seu obstetra lhe oferecem. Só com sua reflexão e consciência em conjunto com as pessoas em quem confia será uma ajuda à sua convivência e parto! Ele é importante para você pactuar com sua equipe as suas escolhas!
Leia também:

Recomendações da OMS (Organização Mundial da Saúde) no Atendimento ao Parto


A) Condutas que são claramente úteis e que deveriam ser encorajadas
  1. Plano individual determinando onde e por quem o parto será realizado, feito em conjunto com a mulher durante a gestação, e comunicado a seu marido/ companheiro e, se aplicável, a sua família.
  2. Avaliar os fatores de risco da gravidez durante o cuidado pré-natal, reavaliado a cada contato com o sistema de saúde e no momento do primeiro contato com o prestador de serviços durante o trabalho de parto e parto. 
  3. Monitorar o bem-estar físico e emocional da mulher ao longo do trabalho de parto e parto, assim como ao término do processo do nascimento. 
  4. Oferecer líquidos por via oral durante o trabalho de parto e parto. 
  5. Respeitar a escolha da mãe sobre o local do parto, após ter recebido informações. 
  6. Fornecimento de assistência obstétrica no nível mais periférico onde o parto for viável e seguro e onde a mulher se sentir segura e confiante. 
  7. Respeito ao direito da mulher à privacidade no local do parto. 
  8. Apoio empático pelos prestadores de serviço durante o trabalho de parto e parto. 
  9. Respeitar a escolha da mulher quanto ao acompanhante durante o trabalho de parto e parto. 
  10. Oferecer às mulheres todas as informações e explicações  que desejarem. 
  11. Não utilizar métodos invasivos nem métodos farmacológicos para alívio da dor durante o trabalho de parto e parto e sim métodos como massagem e técnicas de relaxamento. 
  12. Fazer monitorização fetal com ausculta intermitente. 
  13. Usar materiais descartáveis ou realizar desinfeção apropriada de materiais reutilizáveis ao longo do trabalho de parto e parto. 
  14. Usar luvas no exame vaginal, durante o nascimento do bebê e na dequitação da placenta. 
  15.  Liberdade de posição e movimento durante o trabalho do parto. 
  16. Estímulo a posições não supinas (deitadas) durante o trabalho de parto e parto. 
  17. Monitorar cuidadosamente o progresso do trabalho do parto, por exemplo pelo uso do partograma da OMS. 
  18. Utilizar ocitocina profilática na terceira fase do trabalho de parto em mulheres com um risco de hemorragia pós-parto, ou que correm perigo em consequência de uma pequena perda de sangue. 
  19. Esterilizar adequadamente o corte do cordão. 
  20. Prevenir hipotermia do bebê. 
  21. Realizar precocemente contato pele a pele, entre mãe e filho, dando apoio ao início da amamentação na primeira hora do pós-parto, conforme diretrizes da OMS sobre o aleitamento materno. 
  22. Examinar rotineiramente a placenta e as membranas.

B) Condutas claramente prejudiciais ou ineficazes e que deveriam ser eliminadas
  1. Uso rotineiro de enema. 
  2. Uso rotineiro de raspagem dos pelos púbicos. 
  3. Infusão intravenosa rotineira em trabalho de parto. 
  4. Inserção profilática rotineira de cânula intravenosa. 
  5. Uso rotineiro da posição supina durante o trabalho de parto. 
  6. Exame retal. 
  7. Uso de pelvimetria radiográfica. 
  8. Administração de ocitócicos a qualquer hora antes do parto de tal modo que o efeito delas não possa ser controlado. 
  9. Uso rotineiro da posição de litotomia com ou sem estribos durante o trabalho de parto e parto. 
  10. Esforços de puxo prolongados e dirigidos (manobra de Valsalva) durante o período expulsivo. 
  11. Massagens ou distensão do períneo durante o parto. 
  12. Uso de tabletes orais de ergometrina na dequitação para prevenir ou controlar hemorragias. 
  13. Uso rotineiro de ergometrina parenteral na dequitação. 
  14. Lavagem rotineira do útero depois do parto. 
  15. Revisão rotineira (exploração manual) do útero depois do parto.

C) Condutas freqüentemente utilizadas de forma inapropriadas 
  1. Método não farmacológico de alívio da dor durante o trabalho de parto, como ervas, imersão em água e estimulação nervosa.
  2. Uso rotineiro de amniotomia precoce (romper a bolsa d’água) durante o início do trabalho de parto. 
  3. Pressão no fundo uterino durante o trabalho de parto e parto. 
  4. Manobras relacionadas à proteção ao períneo e ao manejo do polo cefálico no momento do parto. 
  5. Manipulação ativa do feto no momento de nascimento. 
  6. Utilização de ocitocina rotineira, tração controlada do cordão ou combinação de ambas durante a dequitação. 
  7. Clampeamento precoce do cordão umbilical. 
  8. Estimulação do mamilo para aumentar contrações uterinas durante a dequitação.

D)  Condutas freqüentemente utilizadas de modo inadequado 
 
  1. Restrição de comida e líquidos durante o trabalho de parto. 
  2. Controle da dor por agentes sistêmicos. 
  3. Controle da dor através de analgesia peridural. 
  4. Monitoramento eletrônico fetal . 
  5. Utilização de máscaras e aventais estéreis durante o atendimento ao parto. 
  6. Exames vaginais freqüentes e repetidos especialmente por mais de um prestador de serviços. 
  7. Correção da dinâmica com a utilização de ocitocina. 
  8. Transferência rotineira da parturiente para outra sala no início do segundo estágio do trabalho de parto. 
  9. Cateterização da bexiga. 
  10. Estímulo para o puxo quando se diagnostica dilatação cervical completa ou quase completa, antes que a própria mulher sinta o puxo involuntário. 
  11. Adesão rígida a uma duração estipulada do segundo estágio do trabalho de parto, como por exemplo uma hora, se as condições maternas e do feto forem boas e se houver progresso do trabalho de parto. 
  12. Parto operatório (cesariana). 
  13. Uso liberal ou rotineiro de episiotomia. 

Exploração manual do útero depois do parto.

Essa tabela de recomendações é a "parte 5" do
Manual de Parto Humanizado do Projeto Luz - JICA