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Para Doula Liz

Comecei a sentir aqueles suaves abraços na barriga sábado à noite. Na segunda, na nossa última consulta, já marcando 40 semanas e 4 dias, ainda não tinha dilatação nenhuma. Nossa médica listou todos os procedimentos que poderia fazer caso quiséssemos acelerar o trabalho de parto, mas eu sabia que nossa filha sabia sua hora. Optamos por ir pra casa, aproveitar nossos últimos momentos a sós, brindado com uma carninha beeeemm apimentada!
Já naquela madrugada as contrações ficaram mais fortes, de 15 em 15 minutos, quando o dia amanheceu já contávamos de 8 em 8. Meu Fe acordou comigo a cada concentração, me ajudando a cronometrar a frequência e a intensidade. Lembro com muito carinho daquele momento.
As malinhas prontas, meu marido arrumando a casa, a Lizi e eu conversando, o Spike deitado em meu colo, um carinhoso escalda pés preparado por ela, conversar sentada na grama, tomar café da tarde, pão com manteiga, ao anoitecer ver as velinhas acesas pela casa, receber massagens dela, do meu marido, ajudando nossa filha a nascer, são as melhores lembranças do meu trabalho parto...

A Lizi estava lá, comigo, me tranquilizando e também me conduzindo para um outro nível de autoconhecimento. Ela também representava todas as mulheres que amo e que não podiam estar ali. Ela carregava dentro de si o amor de todas as mulheres que me amam e me nutria deste amor com seus olhos meigos, voz suave e palavras doces, oferecendo-se para me carregar, mesmo eu estando tão mais pesada que ela. Ela perfumou meu momento. Literalmente. Meu trabalho de parto tem cheiro de laranja! Laranja que é estimulante, fresco, renovador.
No hospital sentia sua proteção, tentando amenizar a rigidez e indelicadeza do sistema, procurando fazer meus planos e vontades valerem. Tudo isso ela conduziu madrugada a dentro, ajudando-me e ajudando meu marido a me ajudar.
Lizi amada, faz 2 meses que a Ana Luiza nasceu e eu quero te agradecer mais uma vez e deixar aqui minha homenagem a ti, que fazendo teu trabalho, te tornaste minha 

mãezinha, minha amiga, minha irmã, minha doula.
Te amo
Sara





Carta à Doula - Breve Relato de Parto | Pelos pais Lizandra e Gustavo


Passava das 3h da madrugada quando tivemos a certeza de que era mesmo trabalho de parto, porque minha bolsa estourou. Ficamos muito nervosos, já que o Gustavo foi acordado com a frase: - "Amor, minha bolsa rompeu!" E sabíamos que naquele dia, a equipe que assistiria nosso tão sonhado Parto Domiciliar estaria viajando.
A adrenalina tomou conta - O Gustavo caminhava pelo quarto perguntando o que fazer, e eu com os olhos estalados, não conseguia lhe dizer nada - Mas logo ela baixou, dando espaço para a oxitocina. Assim que entramos no chuveiro, percebemos o aumento das contrações e pensamos juntos que era hora de ligar pra nossa Doula...
15 minutos depois, ali estava ela pra nos acalmar e orientar, com sua voz suave e aparência tranquila, passando-nos muita segurança. Ela preparou todo o ambiente enquanto o chuveiro fazia seu papel no trabalho de parto. Ao entrarmos no quarto nos deparamos com um clima muito agradável; velas, música e uma delicada flor, que ela trouxera do seu jardim, compunham o espaço. 
As contrações aumentavam, e com suas orientações fizemos diversas posições até encontrar a mais confortável, nos ajudou a usar a bola, fez massagens e aplicou compressas. E claro, nos deu muito carinho e atenção, que foram fundamentais para nos fortalecer.
Mesmo não tendo nossa equipe perto e sabendo que chegaria o momento de ir para o hospital, o apoio e a presença da nossa doula nos deixou muito confortáveis. Ela sabia o que queríamos e poderia nos ajudar a tomar a melhor decisão.  
Dessa forma, com a mamãe na "Partolândia" (Alteração de consciência ocasionada pelos altos níveis hormonais durante o parto natural) o trabalho de parto só evoluía... Até que chegou a hora de decidirmos e nos encaminharmos ao hospital. Por volta das 6:50 da manhã saímos de casa, rumo ao hospital de Clínicas de Porto Alegre.
No carro tudo parecia mais tranquilo. Quando no meio do caminho disse: "Lizi, tá nascendo!" O papai e o vovô - que dirigia o carro - se assustaram bastante nesse momento... Então, mais uma vez ela nos acalmou, olhou, e tocou suavemente entre minhas pernas, e disse que estava tudo acontecendo perfeitamente. Ele estava perto, mas ainda faltava. Parecia que ela sabia a missão que lhe aguardava...
Chegando ao hospital, bastaram alguns passos fora do carro e ali mesmo nasceu o Miguel. Eu não queria hospital, ele não queria hospital, nós não queríamos hospital, ninguém queria! Tínhamos um trato, e nós cumprimos. Nós conseguimos! 
Mamãe avisou: “Vai nascer!” E ali estava ele. Papai pediu ajuda da doula e eles assumiram suas posições. Enquanto ele me apoiava pelas costas ela se ajoelhou no chão, para aparar com suas mãos o nosso anjo Miguel. 
Parto Normal? Parto Humanizado? Parto Natural? Não. Parto Divino!
Miguel veio ao mundo pela força maior do destino. Sua Madrinha, Liziane, foi a primeira pessoa a tocá-lo. E imediatamente colocou-o nos braços de sua mãe. 

Bom, esse pequeno resumo do nosso trabalho de parto - que pouco foi filmado mas, que cada instante, ficará pra sempre em nossas mentes - é uma das formas que encontramos de agradecer, a nossa Doula, todos os ensinamentos, cuidado, acompanhamento, paciência, conversas, exercícios e à cima de tudo o amor que contaminou a nós e ao nosso filho.
Lembramos como se fosse hoje o círculo de energia feito no chá do Miguel. A Oxitocina contagiou todos que estavam ao redor. Naquele momento, ele escolheu a pessoa que o receberia nesse mundo.

Obrigada, Lizi! Seremos eternamente gratos por tudo o que fez por nós e por nosso filho.
Te amamos muito!

Zanda, Gu e Miguel

Porto Alegre, 14 de Maio de 2014