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SOBRE A DOR

Para que serve a dor?

Um dos maiores medos associados ao parto é o medo da dor. Os avanços da medicina permitiram o aparecimento de drogas cada vez mais sofisticadas que se não curam, pelo menos tiram a dor. A anestesia nos tira a dor e muitas das sensações físicas ligadas ao trabalho de parto. Dor de dente, dor de cabeça, dor de barriga, dor nas costas… Por que conviver com a dor? Qual o significado da dor?

Na maioria das vezes, a dor é um sinal do corpo de que algo não está indo bem. Uma dor de estômago pode significar que comemos um alimento deteriorado. Uma dor de dente pode significar um nervo inflamado. Se não sentirmos a dor, se anestesiássemos todo o corpo, jamais sentiríamos dor. Mesmo com fraturas, úlceras ou cistites, o que seria muito perigoso! Não podemos, então, simplesmente poupar-nos da dor.
Outras vezes a dor é um aviso de que um músculo foi sobrecarregado, como quando carregamos um peso por muito tempo, ao fazermos exercício físico numa dose maior que a habitual. Essa dor freqüentemente nos dá prazer. Saber que os músculos doem de uma boa sessão de natação dá uma sensação de poder e vigor. E é comum que pensemos: "Ah! Amanhã já passou!". E lá vamos nós para mais uma aula de natação.
Às vezes sentimos a dor da perda, a dor do luto, a dor na alma. Essas dores acontecem porque somos gente, pensamos, sentimos, amamos e sofremos com as perdas. Sem amor não sentiríamos a dor da separação. No final percebemos que valeu a pena ter amado, com ou sem dor. Enriquecemos e crescemos com esses sentimentos. Se tomamos antidepressivos para nos livrar do luto, percebemos que nosso mal estar com o tempo vai piorar e que não há como escapar dessa dor, cedo ou tarde teremos que lidar com ela. Remédios aqui decididamente não funcionam…

A dor do Parto 


A dor do parto é diferente dos outros tipos de dor, por várias razões. Primeiro porque é uma dor intermitente. Vem com a contração, começando fraquinha e aumentando, até atingir o pico, quando começa a diminuir e desaparece completamente. No intervalo entre as contrações não há dor, pressão, incômodo algum. É como se nada tivesse acontecido há 4 minutos. Nesses intervalos dá tempo de relaxar, meditar, respirar profundamente e muitas vezes dormir.

Outro fato é que a intensidade da dor do parto varia de mulher para mulher e de gestação para gestação de acordo com diversos fatores: limiar individual, grau de relaxamento, intimidade como o ambiente, apoio de familiares e profissionais, preparação e outros tantos… É uma dor diretamente influenciada por fatores psicológicos, funcionais e emocionais. Quando estamos com medo, ficamos tensas, e a nossa tensão faz a dor aumentar. É um ciclo bem conhecido, o ciclo do medo-tensão-dor. Vale para qualquer tipo de dor.
Um terceiro fator que às vezes soa estranho é que a dor do parto é "esquecida". É freqüente ouvirmos as mulheres dizerem que tão logo o bebê está nos braços, a dor já foi completamente esquecida. É diferença daquelas cólicas menstruais que lembramos, algumas realmente inesquecíveis. Ou aquela dor de dente que destruiu nosso fim-de-semana. Se nos esforçarmos um pouco, dá pra sentir a danada de novo!
O certo é que uma boa experiência de parto significa, entre outras coisas, lidar com a dor normal inerente ao processo de abertura do colo do útero e aliviar ou eliminar as dores desnecessárias, provenientes de tensões, medos, ambientes impróprios, manobras médicas discutíveis ou presença de pessoas indesejadas.
E embora essa dor seja tão peculiar, lidar com ela não é muito diferente do que lidar com outras dores. Os recursos que podemos usar são universais: água morna, respiração, distração, encorajamento, carinho, apoio, balanço ritmado, massagem, relaxamento, meditação, oração, visualização, pressão, alongamento, respiração, vocalização, movimentação do corpo, ouvir música, cantar, gritar, gemer, chorar.
É claro que nem todos os recursos funcionam da mesma forma para toda mulher. Somos indivíduos diferentes. Nossos desejos, nossos desafios, o que nos move, tudo é individual. É bom lembrar que por isso mesmo qualquer procedimento médico ligado ao parto, não só aqueles ligados à dor, devem ser adotados individualmente e nunca rotineiramente. Rotina é para máquinas, não para gente e menos ainda para parturientes.
Quando nos sentimos confortáveis e seguras, aumentamos nossa capacidade de relaxar e assim nos concentrar no trabalho de parto. O trabalho de parto é feito de esforço, concentração, dedicação. Existem elementos ambientais, recursos humanos e técnicos que podem ser de grande ajuda nessa tarefa intensa de dar à luz um bebê. 
  




Entendendo o Plano de Parto

O Plano de Parto é recomendação Prioritária da Organização Mundial da Saúde desde 1986, como forma de garantir um atendimento respeitoso à parturiente no momento do nascimento.

Você é gestante?
Você tem um plano de Parto?
Você sabe o que é um plano de parto?
Seu médico concorda com o seu plano de parto?
Você sabia que tem o direito, adquirido por lei, de ter um acompanhante no momento do seu parto?
Quem estará com você? Seu médico sabe disso?
Você sabe quais são as condutas e os procedimentos médicos que você e seu bebê passarão no momento do parto e nascimento?
Você sabia que pode e deve escolher pelos procedimentos médicos?
Entenda melhor cada um e diga ao seu médico, quais procedimentos você concorda e com quais discorda, através de um Plano de Parto.
Converse com seu médico antecipadamente sobre esses procedimentos e diga-lhe o que serve para você.

Maternidade consciente começa na gestação!


PARA QUE SERVE PLANO DE PARTO?

·         Levar você a conhecer e pensar sobre cada momento do seu parto, podendo fazer escolhas que se referem ao seu corpo e ao seu bebê;
·         Deixar suas preferências bem claras para a equipe que vai te acompanhar;
·         Evitar imprevistos de difícil solução.


O QUE PODE ACONTECER SE EU NÃO TIVER UM PLANO DE PARTO?

Imagine-se na seguinte situação: você, em trabalho de parto, chegando na maternidade. Enquanto seu marido fica na recepção preenchendo papéis você é levada para dentro, para ser preparada. Um pouco mais tarde te informam que ele não vai poder entrar porque a maternidade não permite. Informam também que ele está “aprontando uma confusão” lá na portaria e já chamaram a polícia.
Outra situação: imagine-se em trabalho de parto, chegando de madrugada na maternidade. A recepcionista fica espantadíssima de você estar em trabalho de parto, pois as mulheres que têm o seu convênio geralmente vêm com cesárea marcada. A sala de pré-parto da maternidade é só para gestantes do SUS e você deveria ter uma carta do médico junto com uma autorização do convênio para poder ser internada diretamente no quarto. Enquanto ela tenta resolver o impasse você vai ter que esperar na recepção.
ACHOU ABSURDO? POIS SAIBA QUE ACONTECE!
Para evitar imprevistos como estes, é melhor você fazer um Plano de Parto e conversar com seu médico sobre cada passo do trabalho de parto. Se você não tem convênio médico vá até a maternidade e se informe sobre todos os passos pelos quais passam as parturientes, desde a internação até a alta.

O QUE PODE CONSTAR DO PLANO DE PARTO?

Tudo, desde as primeiras contrações até os primeiros dias pós-parto. O plano de parto é uma lista sobre os acontecimentos possíveis em um parto e sobre os quais você pensou. Pode ser feito em forma de carta ao médico e a instituição como já é feito em alguns países, ou simplesmente ser uma reflexão sobre o que você aprendeu e deseja sobre seu parto. Não é uma lista de “mandamentos” para os profissionais muito menos um “alvará” para sua desobediência frente à equipe. É uma organização de idéias para facilitar o diálogo com o profissional que te acompanhará.
Em que maternidade ou Casa de Parto você quer ter o bebê? Você gostaria de ficar lá com um acompanhante? Gostaria de ter uma doula? Irá receber lavagem intestinal, raspagem dos pelos, soro com hormônio para acelerar as contrações, anestesia, ficar sem beber líquidos? O que a medicina baseada em evidência e a OMS (Organização Mundial de Saúde) tem a dizer sobre estes procedimentos que vemos serem utilizados como rotina? Gostaria de amamentar logo após o parto e garantir alojamento conjunto logo a seguir ou concorda em esperar por 6 horas ou mais até poder se reencontrar com o bebê? Em caso de cesárea, gostaria de ser “apagada” após a saída do bebê? Ou gostaria de segurá-lo com a ajuda do seu acompanhante após o parto? Quais procedimentos você aceita e quais preferia evitar?
Pequenos detalhes e enormes diferenças que podem garantir um parto único, feliz e ativo, trazendo maior segurança para mãe, pai e filho. Para a equipe, pode ser um norte para melhor poder atendê-la e até mesmo repensar as práticas que vem sendo feitas rotineiramente.

COMO FAZER MEU PLANO DE PARTO?

Além de saber dos procedimentos de praxe do seu obstetra ou parteira e da maternidade, busque informações em livros e sites de confiança. Listas de discussão na internet e cursos de preparação para o parto podem ajudar bastante. Se puder, converse com ex-gestantes que tiveram parto no mesmo local, ou com o mesmo profissional. Aos poucos o que você quer e não quer no seu parto vai ficando mais claro e você pode ir conversando e negociando com seu médico o que é possível e o que não é.

QUANDO DEVEMOS LEVÁ-LO PARA O MÉDICO?

Desde a primeira consulta você pode começar a fazer perguntas sobre como o médico costuma agir durante o parto de suas pacientes. Para levar tudo por escrito é melhor que seja a parir do sexto mês, e para deixar uma cópia para o médico é melhor estar bem próximo da data prevista. Isto porque suas preferências podem sofrer mudanças.

QUAL SERÁ A REAÇÃO DO MÉDICO?

Deve ser a melhor, pois a relação médico/paciente deve ser aberta e honesta. Os bons médicos já estão acostumados a ter com seus pacientes esse tipo de conversa.
Se você não se sente à vontade nem para conversar com ele ou se ele reagir mal é melhor desistir logo e procurar outro!

O seu plano de parto deve estar de acordo com a sua personalidade e experiência de vida, sua cultura, sua família, gravidez anterior se houver e com as condições que a maternidade e seu obstetra lhe oferecem. Só com sua reflexão e consciência em conjunto com as pessoas em quem confia será uma ajuda à sua convivência e parto! Ele é importante para você pactuar com sua equipe as suas escolhas!
Leia também:

Condutas e Procedimentos Médicos no Parto - Entenda cada um

DURANTE O TRABALHO DE PARTO
Você Quer?
Explicação
1) Presença de um acompanhante de sua escolha durante todo o parto, da admissão ao nascimento.
Elimina o estresse da separação. Seu parceiro pode provê-la com suporte emocional durante o trabalho de parto e durante todos os procedimentos necessários. A presença do pai propicia a formação dos laços familiares com o novo membro que vai nascer. É direito garantido por lei federal.
2) Presença de outras pessoas da família ou amigos durante o trabalho de parto e parto.
A presença de outras pessoas da família ou amigos pode significar mais apoio para você e seu parceiro. Não há aumento na incidência de infecções, desde que essas pessoas não apresentem sinais de doença (por exemplo, coriza ou diarréia)
3) Lavagem Intestinal (Enema, Fleet-Enema, Enteroclisma).
A lavagem intestinal é desconfortável e desnecessária se você teve funcionamento normal do intestino nas últimas 24h. No entanto, se você estiver constipada, poderá a qualquer momento solicitar uma aplicação.
4) Liberdade para caminhar.
Caminhar estimula o útero a funcionar eficientemente. Os trabalhos de parto que incluem livre caminhar são mais curtos e menos propensos a receber medicamentos analgésicos.
5) Liberdade para mudar de posição.
Sentar, deitar de lado, ajoelhar, acocorar, cada posição pode funcionar melhor ou ser mais confortável em diferentes momentos do trabalho de parto.
6) Uso da água no trabalho de parto.
Passar parte(s) do trabalho de parto sob o chuveiro ou imersa numa banheira diminui a necessidade de medicamentos para dor.
7) Bebidas e alimentos com alto teor de carboidratos e pouca gordura à vontade.
Alimentos ricos em carboidratos e pobres em gordura permitem digestão rápida e suprimento energético necessário durante o trabalho de parto. Líquidos previnem a desidratação.
8) Água e bebidas leves.
Você pode ficar com a sensação de boca seca por causa das técnicas de respiração.
9) Objetos pessoais (camisola pessoal, música, flores).
Objetos familiares podem melhorar a experiência do parto ao permitir um melhor relaxamento e mais conforto.
10) Tricotomia (raspagem dos pelos pubianos) apenas se desejado.
A raspagem dos pelos não diminui a incidência de infecções e o crescimento no período de pós-parto pode ser bastante desconfortável.
11) Infusão intravenosa apenas se houver indicação médica.
A infusão intravenosa restringe a mobilidade e interfere no relaxamento. A ingestão de líquidos leves no trabalho de parto reduz a chance de desidratação. As hemorragias em partos espontâneos e não medicamentosos são muito raras para justificar o uso de infusão preventiva.
12) Monitoramento fetal eletrônico apenas se houver indicação médica.
Em parturientes de baixo risco, a auscultação intermitente dos batimentos cardíacos fetais por uma enfermeira ou parteira treinada demonstrou ser tão efetivo quanto o uso do monitoramento fetal eletrônico. Além disso, o aparelho restringe o movimento, podendo ser também bastante incômodo. Geralmente as mulheres são instruídas a deitar de costas, posição que pode ser muito desconfortável e ter ação negativa sobre o trabalho de parto e o bebê. O uso intermitente do monitor pode ser uma alternativa.
13) Rompimento espontâneo da bolsa das águas.
O líquido amniótico contido na bolsa tem um efeito de proteção, equalizando a pressão sobre o bebê, o que resulta em menos pressão na cabeça. O rompimento artificial das membranas aumenta as chances de infecção e cria um limite de tempo para o parto, além de resultar em contrações geralmente mais dolorosas.
14) Medicação para alívio da dor administrada apenas quando solicitado por você e com informações completas sobre possíveis efeitos sobre você, o bebê e o trabalho de parto.
Todo e qualquer medicamento tem um efeito potencial que pode afetar você, seu bebê e seu trabalho de parto. Saber de antemão os benefícios e riscos dos medicamentos usados pelo médico permitem que você faça escolhas conscientes.
15) Presença de acompanhante de parto profissional para suporte contínuo (massagista, fisioterapeuta, doula, enfermeira ou obstetriz sem vínculo com o hospital).
Um profissional experiente, que tenha um comprometimento com você em relação ao tipo de parto que você deseja, pode oferecer importantes informações adicionais. A presença de uma doula pode reduzir suas chances de ter uma cesárea em até 50%, tornar o trabalho de parto mais curto, fazer o uso de ocitocina menos necessário, reduzir a necessidade de anestesia e de uso do fórceps. Uma massagista ou terapeuta corporal pode utilizar técnicas de alívio dos desconfortos do parto. 
16) Ocitocina ou drogas de efeito similar para indução ou aceleração do trabalho de parto apenas sob necessidade médica.
As contrações induzidas por ocitocina são mais difíceis de serem suportadas do que as contrações naturais, tanto para você como para o bebê. Os riscos do parto induzido incluem restrição do suprimento de oxigênio do bebê e parto prematuro. As complicações decorrentes do uso de ocitocina podem aumentar as chances de uma cesárea ser necessária.
17) Uso de suíte de parto ou a mesma sala/quarto para o trabalho de parto e parto.
Isso evita que você seja transferida às pressas, geralmente deitada de costas numa maca, da sala de pré-parto para a sala de parto, durante a fase de expulsão. Muitos hospitais já oferecem as “suítes de parto” ou “LDR (Labor and Delivery Room)” onde a parturiente fica durante todo o trabalho de parto, parto e recuperação. O uso do apartamento fora do centro obstétrico para o parto normal de baixo risco, sem intervenções, também é uma excelente opção.
18) Pouca Iluminação e Temperatura Moderada
Um ambiente aconchegante, com luzes baixas e temperaturas amenas, proporcionam mais conforto. O que ajuda no desligamento do neocórtex - responsável por todo o nosso pensamento racional e analítico - liberando, dessa forma, menos adrenalina, o que facilita um estado de relaxamento e a meditação.
DURANTE O PARTO
Você Quer?
Explicação
1) Posição para expulsão confortável (para você) e eficiente.
A posição semi-reclinada (quase sentada), deitada sobre o lado esquerdo, de joelhos ou cócoras pode ser bem mais confortável do que ficar deitada de costas. Deitar de costas comprime o cóccix, diminui o diâmetro da pélvis, pode ser desconfortável e faz o útero pesar sobre artérias importantes, impedindo um bom fluxo sanguíneo. Acocorar-se faz diminuir o comprimento do canal de parto, aumenta a abertura da pélvis, e faz as contrações serem mais eficientes, já que o trabalho está sendo auxiliado pela gravidade.
2) Não usar estribos ou perneiras.
A posição de litotomia, na qual você se deita de costas e coloca os pés nos estribos ou perneiras, faz com que o parto seja um esforço contra a gravidade e força você a empurrar o bebê para cima. Estribos abertos, embora dêem ao médico uma excelente visão do campo de trabalho, fazem o períneo esticar demasiadamente, aumentando as chances de laceração.
3) Episiotomia apenas se for necessário.
Ao permitir que a cabeça do bebê emerja vagarosamente, apenas sob as forças uterinas, o períneo tem maiores chances de distensão, o que minimiza as chances de lacerações. A recuperação da episiotomia pode ser bastante desconfortável. A cicatriz muscular pode afetar posteriormente o prazer sexual. A episiotomia diminui o período expulsivo, podendo ser necessária em caso de sofrimento fetal ou se for preciso o uso do fórceps. Muitos profissionais de saúde fazem a episiotomia rotineiramente, independente de ser necessária, o que não tem qualquer justificativa aceitável.
4) Anestesia peridural ou raquidiana apenas se for necessária alguma intervenção cirúrgica ou a pedido materno.
A anestesia é desnecessária na maioria dos partos sem complicações, sem o uso de ocitocina e com liberdade de posição. No caso de uma episiotomia, um anestésico local pode ser aplicado na hora. 
5) Nascimento suave (Parto Leboyer).
O nascimento Leboyer é uma atitude, mais que um procedimento. Diminui o trauma sensorial e físico do bebê na hora no nascimento.
6) Clampeamento do cordão apenas depois que parar de pulsar.
O clampeamento tardio permite que o bebê continue recebendo oxigênio pelo cordão umbilical enquanto o sistema respiratório começa a funcionar. Diminui o risco de anemia em bebês até 6 meses.
7) O Pai corta o cordão umbilical.
Aumenta a participação do pai no nascimento.
8) Bebê colocado imediatamente no seu colo (ou sobre a barriga ou nos seus braços).
O contato imediato pele-a-pele é benéfico. Se mãe e bebê forem cobertos com uma manta, a temperatura do bebê é mantida.
9) Bebê amamentado assim que possível.
A sucção do bebê estimula a produção materna de ocitocina, que induz o delivramento da placenta e reduz o sangramento pós-parto. O reflexo de sucção do bebê é mais forte nas primeiras horas após o nascimento. O colostro age como um laxativo, limpando o trato intestinal do bebê do muco e do mecônio.
10) Antibiótico oftálmico ou nitrato de prata apenas depois do período de formação do vínculo (primeiras horas após o parto).
Esses produtos interferem na visão do bebê, que é muito importante durante o período de vínculo, logo após o parto. Caso a mãe não seja portadora de gonorréia, o nitrato de prata não tem qualquer utilidade e pode provocar conjuntivite química no recém-nascido.
11) Placenta expulsa espontaneamente da parede do útero.
Tração ou massagem pode fazer com que parte do tecido placentário permaneça no útero, podendo provocar infecção e hemorragia pós-parto.
12) Vínculo precoce mãe-bebê.
As primeiras horas após o parto são muito importantes no desenvolvimento da ligação afetiva entre os pais e o bebê. Eles não deveriam ser separados em nenhum momento.
13) Tirar fotografias ou filmar durante o parto.
São formas maravilhosas de se lembrar desses momentos incríveis, desde que não atrapalhem a concentração da mãe ou impeçam o pai de participar ativamente no auxílio à sua companheira. Algumas mulheres sentem-se constrangidas, discuta a questão antes.
NO PÓS-PARTO
Você Quer?
Explicação
1) Amamentar.
Em termos nutricionais, o seu leite é o alimento perfeito para o seu bebê. A amamentação é uma experiência emocionalmente gratificante tanto para o bebê como para a mãe e é econômica. Ajuda o útero a contrair e voltar mais rapidamente ao tamanho normal.
2) Não deverá haver separação entre mãe e bebê a menos que haja indicação médica.
O contato contínuo mãe-bebê favorece a formação do vínculo entre eles. Aumenta as oportunidades para a equipe de enfermagem oferecer instruções sobre os cuidados com o recém-nascido. Os primeiros banhos podem ser dados no quarto da mãe.
3) Não oferecer ao bebê água, leite em pó (fórmulas), chupeta ou bicos.
O oferecimento de bicos e mamadeiras ao bebê pode provocar confusão, já que exigem uma ação diferente da língua, comparada à da amamentação natural. Se o bebê é alimentado no berçário entre as mamadas, ele não vai sugar adequadamente para o estímulo mamário da produção de leite.
4) Alojamento conjunto 24 horas.
Permite contato íntimo entre pais e bebê, favorecendo a formação do vínculo. Você poderá amamentar sob livre demanda e aprender os primeiros cuidados com seu bebê ainda sob a supervisão das enfermeiras.
5) Pai deverá ficar no apartamento com mãe e bebê até a alta.
Reforça os laços familiares. Permite que o pai participe dos cuidados com o bebê. A maioria dos hospitais particulares oferece a possibilidade do pai ficar alojado com a mãe no apartamento privado.
6) Visitação à vontade dos irmãos mais velhos.
Ajuda as crianças mais velhas a perceberem que você está bem. Encoraja a aceitação do novo bebê pelos irmãos.
EM CASO DE CESÁREA
Você Quer?
Explicação
1) Escolha de médico, anestesia e hospital “amigos da mulher”, que permitam uma cesárea centrada na família.
Uma seleção cuidadosa da equipe poderá garantir a participação da família, mesmo no caso da cesárea, tornando o processo mais humanizado.
2) Participação de um acompanhante de sua escolha durante a cesárea.
A presença de uma pessoa querida poderá prover segurança emocional durante esse processo tão delicado, além de estar garantido por lei federal.
3) Permitir o início do trabalho de parto antes de efetuar a cesárea.
O trabalho de parto é a indicação de que o bebê está pronto para nascer. Esperando pelo início do parto diminuem substancialmente as chances de seu bebê nascer prematuro, já que nenhum outro exame pode garantir que os pulmões do bebê estejam maduros.
4) Ser informada de cada procedimento associado à cesárea (testes, tricotomia, sonda urinária, etc).
Saber passo a passo o que está acontecendo, permite que você fique mais relaxada e mais participante do processo.
5) Tricotomia parcial (do abdome até a altura do osso púbico).
Diminui o desconforto quando os pelos começam a crescer novamente, sem aumento nas chances de infecção.
6) Uso de anestesia peridural/raquidiana (não utilização da anestesia geral).
Permite que você esteja acordada no nascimento do bebê e facilita a interação. Exceto pelas emergências, geralmente há tempo suficiente para se aplicar uma anestesia regional.
7) Rebaixamento do protetor ou uso de espelho na hora do nascimento.
Permite que mãe e pai assistam ao nascimento do bebê e sintam-se mais integrados à experiência de nascimento.
8) Amamentação tão logo seja possível, mesmo na mesa de cirurgia ou na sala de recuperação.
Isso dá à mãe e ao bebê as mesmas vantagens do aleitamento precoce obtido nos partos vaginais.
9) Vínculo precoce mãe-bebê.
Segurar e tocar o bebê pode reduzir a ansiedade dos pais, além de trazer os benefícios do vínculo precoce.
10) Sem o uso de sedativos pós-operatórios.
Sedativos podem provocar amnésia materna e atrapalham a interação mãe-bebê. Ao invés de sedativos, prefira usar técnicas de relaxamento. Lembre o anestesista.
11) Alojamento conjunto com flexibilidade.
Permite que você cuide do bebê de acordo com suas possibilidades. Melhora as condições para o estabelecimento dos laços mãe-bebê e da amamentação. Além disso o pai pode participar dos cuidados nos primeiros dias. No entanto um berçário deveria estar disponível para que a mãe possa se recuperar da cesariana em melhores condições.
Autor: Ana Cris Duarte
* Fonte: Amigas do Parto

Recomendações da OMS (Organização Mundial da Saúde) no Atendimento ao Parto


A) Condutas que são claramente úteis e que deveriam ser encorajadas
  1. Plano individual determinando onde e por quem o parto será realizado, feito em conjunto com a mulher durante a gestação, e comunicado a seu marido/ companheiro e, se aplicável, a sua família.
  2. Avaliar os fatores de risco da gravidez durante o cuidado pré-natal, reavaliado a cada contato com o sistema de saúde e no momento do primeiro contato com o prestador de serviços durante o trabalho de parto e parto. 
  3. Monitorar o bem-estar físico e emocional da mulher ao longo do trabalho de parto e parto, assim como ao término do processo do nascimento. 
  4. Oferecer líquidos por via oral durante o trabalho de parto e parto. 
  5. Respeitar a escolha da mãe sobre o local do parto, após ter recebido informações. 
  6. Fornecimento de assistência obstétrica no nível mais periférico onde o parto for viável e seguro e onde a mulher se sentir segura e confiante. 
  7. Respeito ao direito da mulher à privacidade no local do parto. 
  8. Apoio empático pelos prestadores de serviço durante o trabalho de parto e parto. 
  9. Respeitar a escolha da mulher quanto ao acompanhante durante o trabalho de parto e parto. 
  10. Oferecer às mulheres todas as informações e explicações  que desejarem. 
  11. Não utilizar métodos invasivos nem métodos farmacológicos para alívio da dor durante o trabalho de parto e parto e sim métodos como massagem e técnicas de relaxamento. 
  12. Fazer monitorização fetal com ausculta intermitente. 
  13. Usar materiais descartáveis ou realizar desinfeção apropriada de materiais reutilizáveis ao longo do trabalho de parto e parto. 
  14. Usar luvas no exame vaginal, durante o nascimento do bebê e na dequitação da placenta. 
  15.  Liberdade de posição e movimento durante o trabalho do parto. 
  16. Estímulo a posições não supinas (deitadas) durante o trabalho de parto e parto. 
  17. Monitorar cuidadosamente o progresso do trabalho do parto, por exemplo pelo uso do partograma da OMS. 
  18. Utilizar ocitocina profilática na terceira fase do trabalho de parto em mulheres com um risco de hemorragia pós-parto, ou que correm perigo em consequência de uma pequena perda de sangue. 
  19. Esterilizar adequadamente o corte do cordão. 
  20. Prevenir hipotermia do bebê. 
  21. Realizar precocemente contato pele a pele, entre mãe e filho, dando apoio ao início da amamentação na primeira hora do pós-parto, conforme diretrizes da OMS sobre o aleitamento materno. 
  22. Examinar rotineiramente a placenta e as membranas.

B) Condutas claramente prejudiciais ou ineficazes e que deveriam ser eliminadas
  1. Uso rotineiro de enema. 
  2. Uso rotineiro de raspagem dos pelos púbicos. 
  3. Infusão intravenosa rotineira em trabalho de parto. 
  4. Inserção profilática rotineira de cânula intravenosa. 
  5. Uso rotineiro da posição supina durante o trabalho de parto. 
  6. Exame retal. 
  7. Uso de pelvimetria radiográfica. 
  8. Administração de ocitócicos a qualquer hora antes do parto de tal modo que o efeito delas não possa ser controlado. 
  9. Uso rotineiro da posição de litotomia com ou sem estribos durante o trabalho de parto e parto. 
  10. Esforços de puxo prolongados e dirigidos (manobra de Valsalva) durante o período expulsivo. 
  11. Massagens ou distensão do períneo durante o parto. 
  12. Uso de tabletes orais de ergometrina na dequitação para prevenir ou controlar hemorragias. 
  13. Uso rotineiro de ergometrina parenteral na dequitação. 
  14. Lavagem rotineira do útero depois do parto. 
  15. Revisão rotineira (exploração manual) do útero depois do parto.

C) Condutas freqüentemente utilizadas de forma inapropriadas 
  1. Método não farmacológico de alívio da dor durante o trabalho de parto, como ervas, imersão em água e estimulação nervosa.
  2. Uso rotineiro de amniotomia precoce (romper a bolsa d’água) durante o início do trabalho de parto. 
  3. Pressão no fundo uterino durante o trabalho de parto e parto. 
  4. Manobras relacionadas à proteção ao períneo e ao manejo do polo cefálico no momento do parto. 
  5. Manipulação ativa do feto no momento de nascimento. 
  6. Utilização de ocitocina rotineira, tração controlada do cordão ou combinação de ambas durante a dequitação. 
  7. Clampeamento precoce do cordão umbilical. 
  8. Estimulação do mamilo para aumentar contrações uterinas durante a dequitação.

D)  Condutas freqüentemente utilizadas de modo inadequado 
 
  1. Restrição de comida e líquidos durante o trabalho de parto. 
  2. Controle da dor por agentes sistêmicos. 
  3. Controle da dor através de analgesia peridural. 
  4. Monitoramento eletrônico fetal . 
  5. Utilização de máscaras e aventais estéreis durante o atendimento ao parto. 
  6. Exames vaginais freqüentes e repetidos especialmente por mais de um prestador de serviços. 
  7. Correção da dinâmica com a utilização de ocitocina. 
  8. Transferência rotineira da parturiente para outra sala no início do segundo estágio do trabalho de parto. 
  9. Cateterização da bexiga. 
  10. Estímulo para o puxo quando se diagnostica dilatação cervical completa ou quase completa, antes que a própria mulher sinta o puxo involuntário. 
  11. Adesão rígida a uma duração estipulada do segundo estágio do trabalho de parto, como por exemplo uma hora, se as condições maternas e do feto forem boas e se houver progresso do trabalho de parto. 
  12. Parto operatório (cesariana). 
  13. Uso liberal ou rotineiro de episiotomia. 

Exploração manual do útero depois do parto.

Essa tabela de recomendações é a "parte 5" do
Manual de Parto Humanizado do Projeto Luz - JICA