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Entrevista com Naolí Vinaver, parteira tradicional e profissional mexicana

“Nós, mulheres, estamos desenhadas para engravidar e parir sem nenhuma dificuldade”



Para Naolí Vinaver, parteira tradicional e profissional mexicana, a maneira como as mulheres estão parindo seus filhos atualmente reflete um tipo de sociedade consumista e capitalista em que a visão da pressa e a rapidez prevalecem sobre a qualidade da vida como experiência primordial

Por: Graziela Wolfart

O movimento pela humanização do parto é definido pela parteira mexicana Naolí Vinaver como “a união e visão humana, tanto intelectual como técnica e profissional, de pessoas de diversas áreas que se importam com a qualidade da atenção recebida pelas mulheres, bebês e famílias durante o processo de parto e nascimento”. Dona de vasta experiência em contribuir para que bebês nasçam de parto natural, Naolí afirma que “na medida em que as mulheres foram levadas para os hospitais e os seguimentos das suas gravidezes e partos começaram a ser acompanhados por homens médicos (na sua vasta maioria), elas foram perdendo a dignidade, o seu direito à integridade física e emocional e, com isso, a sua autonomia de parideiras capazes”. E conclui, em meio a suas respostas enviadas por e-mail à IHU On-Line: “o problema não são as mulheres ‘imperfeitas’ que ‘não sabem parir mais’, mas a cultura do parto que esqueceu da mulher no processo desenfreado por adquirir as mais altas tecnologias sem virar a cabeça para ver que elas não são necessárias na maioria dos casos”.

Naolí Vinaver Lopez é uma parteira mexicana que combina a prática do parto tradicional com um profundo interesse e respeito pela psicologia e a fisiologia do parto. Desde 1987 ela atendeu por volta de 1000 partos domiciliares em sua região (Xalapa, Veracruz, México), além de participar como conferencista em congressos sobre parto em mais de 30 países. Naolí teve três filhos em partos domiciliares acompanhada de sua família, o último dando origem ao vídeo “Dia de Nascimento”.

Confira a entrevista. 

IHU On-Line – O que caracteriza o movimento pela humanização do parto e do nascimento?

Naolí Vinaver – O movimento se caracteriza pela união e visão humana, tanto intelectual como técnica e profissional, de pessoas de diversas áreas que se importam com a qualidade da atenção recebida pelas mulheres, bebês e famílias durante o processo de parto e nascimento. O movimento se importa profundamente com a experiência pessoal, tanto física como emocional das pessoas envolvidas no parto, baseando-se em dados científicos e psicoemocionais que oferecem evidências fortes sobre os efeitos em curto e longo prazo dessas vivências nas pessoas.

IHU On-Line – O que tem motivado a ebulição deste movimento pelo mundo atualmente?

Naolí Vinaver – A motivação em verdade não é nova, o que é novo é a capacidade atual de se comunicar com o crescimento e expansão dos meios de comunicação que possibilita às pessoas a comunicação umas com as outras, dando como resultado uma crescente consciência das similitudes nas experiências vivenciadas. A partir de inúmeros congressos internacionais, de contato entre pessoas de países diversos, de artigos publicados, pesquisas e expressões individuais e de grupo, o movimento tem se desenvolvido com muita força e lucidez, dando frutos e avanços exemplares. Não sem que ainda fique o maior trecho por ser conquistado e as estratégias e mudanças ainda por serem efetuadas.

IHU On-Line – Como o Brasil e a América Latina se posicionam neste contexto?

Naolí Vinaver – Acho que o Brasil e a América Latina não podem ser incluídos na mesma frase. O Brasil é um país que se diferencia dos outros países da América Latina em que as pessoas civis se sentem parte dos órgãos que tomam decisões, quer dizer, que o vínculo e a humanidade que têm as pessoas civis e as pessoas que já trabalham dentro da Secretaria de Saúde, para citar um exemplo, é de uma parceria e comunicação que não se vê em outros países da América Latina, onde geralmente as instituições se caracterizam por uma prepotência muito marcada, que desvincula os seus representantes dos cidadãos comuns. Mesmo assim, tanto o Brasil como a maioria dos países da América Latina têm em comum um índice elevadíssimo de cesáreas e inúmeras intervenções gineco-obstétricas, evidentemente desnecessárias, o que resulta que a mulher nesses países desconheça suas capacidades para parir natural e espontaneamente, e que quem deseja fazê-lo precise lutar com muita veemência e intensidade, como um salmão que nada contra a correnteza. Nesses países, nós que lutamos por um parto mais humano e cálido precisamos uns dos outros para conseguir ter uma voz que seja ouvida. Paradoxalmente, é também por causa de tantas e tantas formas de violência e agressão obstétrica vividas por tantas mulheres e bebês que o movimento encontra-se fortalecido.

IHU On-Line – O que a senhora destaca em relação ao respeito e à integridade física e emocional da mãe, do bebê e da família durante um nascimento?

Naolí Vinaver – O merecimento a parir com respeito à fisiologia e à intimidade da mulher e do bebê nunca deveria ter mudado das épocas em que as mulheres sempre pariam em casa, acompanhadas por parteiras (mulheres com experiência nas artes do bem-parir). Mesmo que se compreenda que, com a evolução da ciência, as mulheres foram levadas das suas casas para parir nos hospitais, o parto não deveria ter deixado de ser considerado um processo natural de vida e de saúde, só precisando em muitos poucos casos da ajuda justa e precisa da medicina “moderna”. Na medida em que as mulheres foram levadas para os hospitais e os seguimentos das suas gravidezes e partos começaram a ser acompanhados por homens médicos (na sua vasta maioria), elas foram perdendo a dignidade, o seu direito à integridade física e emocional e, com isso, a sua autonomia de parideiras capazes.

IHU On-Line – Como a senhora define a mulher-mãe enquanto autoridade em relação à gravidez e ao bebê que gera em seu ventre?

Naolí Vinaver – Nós, mulheres, estamos desenhadas para engravidar e parir sem nenhuma dificuldade. Como tal, somos autoridades nessa experiência e processo de parir e só precisamos de apoio amoroso e paciente para acompanhar o processo. São as parteiras, desde a época da Antiguidade, que acompanhavam as mulheres nesse momento, caso precisassem de ajuda em algum trecho do processo. Geralmente uma mulher não precisa de ajuda, mas sim de respeito, de intimidade e paz para parir de forma espontânea. Quando esses elementos são tirados da mulher, ela começa a encarar algumas dificuldades que têm a ver mais com o entorno e o aculturamento do parto do que com a sua fisiologia. O problema não são as mulheres “imperfeitas” que “não sabem parir mais”, mas a cultura do parto que esqueceu da mulher no processo desenfreado por adquirir as mais altas tecnologias sem virar a cabeça para ver que elas não são necessárias na maioria dos casos.

IHU On-Line – A maneira como as mulheres estão parindo seus filhos atualmente reflete que tipo de sociedade e de cultura?

Naolí Vinaver – A maneira como as mulheres estão parindo seus filhos atualmente reflete um tipo de sociedade consumista e capitalista em que a visão da pressa e a rapidez prevalecem sobre a qualidade da vida como experiência primordial. Uma sociedade que não pergunta nem escuta às suas mulheres deixando-as escolher e dirigir as suas experiências sexuais, de gravidez e de parto, baseando-se nas suas intuições, no instinto primordial como fêmeas parideiras, e com base em informações fidedignas e legítimas, não é uma sociedade avançada. O dia em que a mulher ocupar um lugar precioso como uma doadora de vida poderosa e cheia de sabedoria, dentro de todos os âmbitos – o psicossocial, o econômico e cultural, assim como o político –, essa cultura vai virar um exemplo para a humanidade inteira.

IHU On-Line – O que caracteriza o ofício da parteira e qual a importância que ela tem para a mãe e a família do bebê que chega por suas mãos?

Naolí Vinaver – A parteira é uma companhia experta e solidária para a mulher no seu caminhar pelas paisagens e experiências únicas da gravidez, do parto, do nascimento e na fase de pós-parto dos primeiros anos de vida. A importância dela não pode nem ser calculada. Basta perguntar para qualquer mulher se ela gostaria de receber carinho experiente e segurança durante as suas experiências de gestar, para entender a importância da parteira nas sociedades. E aquelas sociedades que têm perdido o fio da parteira e nas quais as mulheres não lembram nem como era quando outra mulher era a sua acompanhante experiente demonstram só uma triste falta de cultura e bom-senso.

IHU On-Line – Gostaria de acrescentar mais algum comentário sobre o tema?

Naolí Vinaver – Só quero lembrar às pessoas “modernas” que se consideram frutos da alta tecnologia que, inclusive neste minuto em que se lê esta entrevista, a vasta maioria dos seres humanos que estão nascendo chega nas mãos quentinhas e carinhosas das parteiras nos mais diversos cantos do mundo. É bem assim. A maioria dos seres humanos do século, ano, mês e dia atuais ainda nascem fora do hospital nas mãos das parteiras, e a humanidade prolifera de forma saudável. Acho que o ser humano moderno precisa de um toque de humildade e de mais amor para conseguir continuar a nossa caminhada por esta terra. Eu sou uma das muitas mães do mundo o suficientemente afortunadas por ter parido os meus três filhos na minha casa, na companhia amorosa da minha família, e de uma parteira, e isso me dá a maior sensação de felicidade.

Data: 02.07.2012
Fonte: ihuonline

Plano de Pós Parto




Chenia, Zaya e Onildo
Muitas famílias organizam a gestação e parto dos seus rebentos. Atualmente a mulheres tem optado por fazer o plano de parto, que é uma carta onde ela e o companheiro descrevem o que querem ou não durante o trabalho de parto, parto e assistência ao recém nascido. Não é uma carta de exigências, mas de desejos, que podem ser alterados de acordo com o desencadeamento do trabalho de parto e do parto.
O que venho falar aqui é que depois de 40 semanas (aproximadamente quanto dura uma gestação) de planejamentos e preparativos, quando se está com o bebê em casa, muitas se dão conta de que para além do plano de parto deveriam ter feito também um plano de pós parto.
A legislação vigente só concede ao pai, licença paternidade de 5 dias, talvez porque compreendam que o pai na verdade só deve ter tempo de registrar os seus filhos, haja vista tantas campanhas do ministério público prol o reconhecimento de paternidade. E nenhuma por parte do governo para paternidade presente e consciente.
Durante o pós parto, assim como na gestação e no parto, a mulher passa por várias mudanças biológicas, psicológicas, relacionais e sociais. Diminuição do estrogênio e progesterona e aumento na produção da prolactina. Essas mudanças podem ser intensificadas por uma imposição social que imputa à mulher a condição de ser mãe e junto a isso amorosa, dedicada, e capaz de despender qualquer sacrifício, sem sentimentos de perdas, por sua prole e pela família.

Soneca de Zaya
Fatores como baby blues, depressão pós parto, fadiga excessiva, queda de cabelos, manutenção do peso anterior a gestação, falta de apetite sexual, nesse modelo de supermãe, não são condizentes com a boa mãe. Cobranças são feitas a todo o tempo de forma velada ou explicita, afinal a mulher moderna tem que estar pronta para desempenhar diversas funções simultaneamente, sem fraquejar, sem reclamar, pois não é isso que queríamos, que lutamos, que queimamos sutiãs?
As mudanças significativas na assistência ao parto começam a ser efetivamente implantadas no Brasil durante o século XIX, quando a medicina, tomou as rédeas desse evento. Até então, mas não somente, as mulheres eram cercadas por outras durante a sua gestação, parto e pós parto. Eram feitos rodízios de comadres, amigas, parteiras, mães, avós, todas essas estavam envolvidas no cuidar da outra e guardavam consigo o segredo e a magia que cercavam o gestar, parir e maternar.
Dois séculos depois, após o parto, aquela que recebia telefonemas, vistas, emails para saber de si durante a gestação, muitas vezes ficam por conta própria para os cuidados com a nova cria, da família, da casa e do trabalho. O foco agora é o bebê, ele é quem precisa de toda atenção e cuidado, a mulher agora é sutilmente negligenciada.
E assim começa aquilo que chamo de esquizofrenia da menas main, tem que ser mãe, tem que amamentar exclusivamente em livre demanda, tem que manter o lar arrumado e limpo, as outras crias( quando hão) impecáveis! Tem que ser boa esposa, receber bem as visitas e ainda se manter em forma, linda, bela. Não há espaços para senões, para fraquejamento.
Com a nova rotina instalada, como dar conta dos novos afazeres, da nova vida?
Pensar em como serão esses primeiros dias, sobretudo os 30 primeiros é indispensável para saúde materna, do bebê e da família.
O bebê passa a ser um ente público, todos querem ver, render graças, ver sorrir, tomar banho, mamar, enfim alguns protagonizam o seu próprio reality show nas redes sociais que dão notícias da vida cotidiana, quase que online, e ai daqueles que queiram isolar-se dela.
Não somente na maternidade, mas atualmente as vidas que, por uma regra de conduta burguesa do início do século XX, deveria se manter privada, hoje, voltamos a publicização escancarada e por vezes, mal elaborada das nossas intimidades.

Visita da Dinda Reijane dos primos Micael e Larissa e do Tio Mica
O ideal é organizar sua rotina. Agende suas visitas, mande-lhes carta de comportamento, explique que agora o momento é outro.
Por mais que as apelações externas venham: parentes que moram distantes, que moram perto, amigos e afins, a mulher sobretudo, você deve se preservar durante o puerpério, abrindo portinholas aos que lhe farão bem, sem culpas.
Explique que não é acertado fazer visitas pelo menos 30 dias depois do parto. O primeiro mês é o mais delicado, a família está se adaptando a nova rotina com o filhote e este idem, é preciso deixar espaço, e ser necessário quando convidado e não quando se quer ser.
Se as visitas forem imprescindíveis estabeleça regas como horários, tempo de duração e arranjos caso algum empecilho ocorra como: desconfortos do bebê, cansaço da materno, ou tão somente falta de disponibilidade em atender quem chegou, sem culpas, sem ressentimentos.
Afaste-se dos palpiteiros de plantão (Seu leite é fraco, eu dava mingau a noite, seu marido não vai aguentar essa rotina, não há problemas em dar leite A ou B, e sobretudo os da teoria criei 100 com leite de lhama com achocolatado e não morreu nenhum, vai saber… a morte física não é a pior morte, existem muitas subjetividades). Agora é sua vez de maternar e insegurança pode e deve aparecer, pessoas que só fazem lhe deslegitimar não ajudarão em nada, só trarão suas próprias inseguranças para somar as suas, não é hora de ser terapeuta do outro.
Você precisará de companhias, que respeite o seu momento, e que estejam prontas a ajudar de fato. Alguém para ficar com o bebê para que possa tomar um banho mais demorado, para tirar um cochilo, mas sem que isso seja uma imposição, mas uma necessidade partindo de você.
Se puder, tenha uma diarista para dar conta dos serviços domésticos, ou talvez pessoas da família que estejam dispostas a ajudar sem cobranças, as visitas também poderão colaborar lavando pratos, catando as fraldas, fazendo uma comida, enfim, você é a dona da varinha de condão.

Reunião da Aldeia Materna
Construa seu círculo feminino, sua Aldeia Materna, mulheres amorosas, aquelas que poderão lhe dar um help naquela hora em que o bebê está com gases, que dispõe de “5 minutinhos” no telefone para contar o dia, chorar as pitangas, dizer o quanto seu bebê é lindo, fofo e está tão feliz, ou não, pois não estar feliz não lhe faz uma mulher atípica, muitas de nós passamos por isso, então compartilhe, se desejar, com pessoas que poderão lhe ajudar de fato.
Envolva seu companheiro nesse processo, afinal quando nasce uma mãe, nasce também um pai, que cada vez mais está presente e ativo na paternidade consciente. Momentos como tomar um banho de chuveiro com o bebê ajuda nessa formação do vínculo dá uma trégua para você e reforça os laços familiares.
Saia da teoria de que homens não sabem cuidar, pegar ou trocar o bebê.
Converse com seu companheiro, ouça ele também, estabeleçam momentos de intimidade nem que seja para ficarem juntinhos numa sonequina, ou vendo um filme, sem pensar se dará tempo de ver os créditos.

Avó materna Sisi e avó paterna Lindinha
As avós (materna ou paterna) em geral estão dispostas a colaborar, tendo o know-how de  sua experiência materna, conte com elas, são de grande ajuda, mas peça licença para maternar! Afinal a mãe agora é você, estabeleça limites, é muito importante para sua estima, saúde e crescimento e claro uma mãe tranquila e segura terá muito mais chances de ter um bebê idem.
Não tenha receio de ter um calundu homérico. Depois de um tempo coloque a culpa nos hormônios e se for o caso peça desculpas kkk.
Pessoas sensíveis entenderão os seus motivos, seus desejos.

Eu, Onildo e Zaya – Foto de Ieda Marques
Essas são algumas considerações que faço pensando nos diversos relatos de mulheres, que vi, que li, que convivi e também na minha experiência como mãe, mulher, doula e artesã de slings.
Um caminho de luz para essa nova família!
Por: Doula Chenia d’Anunciação

O que Cesárea Eletiva tem a ver com Prematuridade? TUDO


Cesariana Eletiva e Prematuridade. Uma relação além de casual 
O Brasil é o 10º país no mundo em número de nascimentos prematuros mostrou a Folha de S.Paulo hoje citando um levantamento da Organização Mundial da Saúde divulgado ano passado. Sim, por aqui, são cerca de 280 mil bebês prematuros por ano. E o mais triste de tudo isso é que esse número poderia ser bem menor se não fôssemos o país campeão mundial da cesárea.
Enquanto a Organização Mundial da Saúde recomenda um máximo de 15% de cesáreas, o Brasil alcança os 90% em instituições privadas. Facilidades, comodismo e baixa remuneração estão entre os itens que contribuem para esse número alarmante. Eu adiciono aí também a falta de conhecimento de muitos profissionais que, já na faculdade, aprendem mitos sobre o parto normal preferindo fazer cesáreas e desconhecendo a verdadeira assistência a um parto natural.
Entre as desculpas conhecidas por aí para agendar a cesárea, encontramos: circular de cordão, bacia pequena da mãe, pressão alta, diabetes, sofrimento fetal com agendamento para dali a 2 ou mais dias (ué, o bebê não estava em perigo?), pouco líquido, muito líquido.
Além da própria cesárea ser um risco e trazer algumas complicações (das quais falaremos em outro post), no Brasil agendamos a cirurgia para um dia qualquer sem que o bebê tenha dado sinal de que está pronto para nascer. Existe a falsa ideia de que a partir da 37ª semana contada pela data da última menstruação o bebê já não seria mais considerado prematuro. Mas esse cálculo não consegue precisar a idade do feto, já que a concepção pode ter ocorrido em outra data.
O que acontece é que muitos bebês de 38 semanas vão parar na UTI por “desconforto respiratório” e “água no pulmão”. A matéria da Folha também cita um recente estudo da Fiocruz que acompanhou 24 mil gestantes pelo Brasil e 11% dos bebês precisaram de suporte para respirar ao nascer.
A prematuridade está relacionada a 28% das mortes infantis até os sete dias de vida e traz consequências para a criança que podem ser levadas por toda a vida.
Mas como posso saber se meu bebê está pronto para nascer?

A gestante só sabe que seu filho está maduro para nascer ao entrar em trabalho de  parto. Sim, estudos mostram que quando o bebê já está pronto, ele libera hormônios que estimulam a placenta a secretar prostaglandina, responsável por amadurecer o colo do útero.

Por isso, se houver qualquer razão pessoal (e nesse momento tento deixar meu ativismo pelo parto natural de lado), para você optar por fazer uma cesárea, faça-a depois de entrar em trabalho de parto. Infelizmente, muitos médicos nem permitem que isso aconteça já que para eles é melhor ter tudo agendado para não ter que cancelar a agenda do dia para atender uma gestante em trabalho de parto.
Pense no que é melhor para você e seu filho. Você pode e tem o direito de fazer suas próprias escolhas!
(Texto adaptado)

Fonte: Escolhi ser mãe

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Cesariana Eletiva e Prematuridade

Lidando com a Dor do Parto

ELEMENTOS E RECURSOS 



Apoio – pode ser obtido do companheiro, mãe, amiga, doula ou uma combinação dessas pessoas. Não sentir-se solitária nesse momento tão importante e intenso, ser cuidada com massagens, carinho e informações, tudo isso pode ser uma grande ajuda na travessia do processo do parto. É importante que você confie nas pessoas que estão a sua volta, que perceba a sintonia entre todas elas e sua genuína intenção de estarem te auxiliando no bom êxito do seu trabalho de parto. Deve haver compreensão, paciência, competência e respeito para com seus ritmos e tempos.

Silêncio, privacidade e ambiente discreto – não ter que falar durante as contrações, não ter que ouvir conversa paralela, ou vozes alteradas de comando, até sons de ambientes vizinhos, não ter pessoas entrando e saindo o tempo todo, tudo isso ajuda no trabalho de parto.

Iluminação – para a maioria das mulheres, um ambiente na penumbra ou na meia luz é mais propício ao relaxamento. Você pode fechar cortinas, usar abajures, lâmpadas mais fracas, etc..

Música – para algumas mulheres a música é relaxante, para outras pode ser fonte de perturbação. O importante é que cada mulher escolha se quer ou não quer música, quando e quais músicas devem ser tocadas durante o trabalho de parto.

Velas, aromas, cores – o uso de outros elementos ambientais podem ser muito importantes individualmente. Aromas, incensos, velas, luzes de cores especiais, enfim, todo recurso ambiental é válido e não deve ser desprezado, desde que seja de escolha da parturiente, e que seja disponibilizado nos momentos e intensidades desejados por ela.

Posicionamento – algumas posições servem para corrigir apresentações inadequadas do bebê, podem aumentar o fluxo sanguíneo do útero ou podem dar mais conforto. Embora bastante óbvio, é comum médicos ou regras hospitalares restringirem a posição da parturiente, deitada de lado durante o trabalho de parto ou de costas na hora da expulsão.

Mobilidade – auxilia na mobilidade dos ossos da bacia e diminui o tempo de trabalho de parto. Também é óbvio, mas da mesma forma é comum as mulheres terem que passar o trabalho de parto deitada em macas em salas de pré-parto. 

Massagem – os impulsos nervosos gerados pela massagem em determinadas regiões do corpo vão competir com as mensagens de dor que estão sendo enviadas ao cérebro, reduzindo as sensações de dor. São impulsos nervosos diferentes, competindo pelos mesmos receptores do cérebro. Essa massagem deve ser aplicada nos pés e mãos e funcionam como a técnica de contra-pressão (feita nas costas, durante a contração, na altura da borda superior da bacia). Massagens aplicadas nos ombros e pescoço são melhores entre as contrações e ajudam a relaxar. Já a massagem suave na barriga, braços e pernas dá a sensação de apoio físico e companheirismo. Todas têm grande valor.

Respiração – embora ninguém se "esqueça" de respirar, existem técnicas que ajudam a aumentar a oxigenação durante as contrações e o relaxamento durante os intervalos. Basicamente, entre contrações a respiração deve ser calma e profunda, propiciando maior relaxamento. Durante a contração, usa-se uma respiração mais acelerada, começando lenta e ficando mais curta e rápida no auge da contração (como cachorrinho), voltando aos poucos a ficar mais profunda e longa conforme a contração vai se dissolvendo. Essa respiração aumenta a oxigenação. Embora essas sejam dicas úteis para o parto, a adaptação varia de mulher para mulher e ao longo do trabalho de parto. Não exitem regras fixas, mas muitas mulheres se sentem bem ao receber essas dicas das pessoas que a estão acompanhando. Outras mantêm indutivamente um ótimo ritmo respiratório, sem necessidade de auxílio.

Uso da água – um recurso importante, nas suas variadas formas. O chuveiro morno sobre as costas é relaxante e diminui a sensação de dor. Não há limite de tempo para a mulher permanecer no chuveiro. A água muito quente pode causar alguma queda de pressão. As banheiras comuns ou de parto também são relaxantes, podem fazer diminuir o inchaço, e diminuem a sensação de dor. O ideal é que a imersão seja feita quando a dilatação já atingiu 5 ou 6 cm, para que não haja desaceleração do trabalho de parto. Saiba mais sobre o parto na água e o uso da água no trabalho de parto. 

Relaxamento – a importância do relaxamento está em não permitir que você e seu corpo lutem contra a dilatação ou contra as dores por ela provocadas. Essa luta provoca tensão, que por sua vez desacelera o trabalho de parto e provoca mais dor. É assim que o relaxamento permite que seu útero faça o trabalho. Relaxar significa entre outras coisas se desconectar dos pensamentos ruins, das preocupações, do mundo exterior. A prática da meditação durante a gravidez facilita o relaxamento na hora do trabalho de parto. 

Visualização – para muitas mulheres esse recurso é importante, pois promove o relaxamento e diminui as tensões. A parturiente pode visualizar o bebê descendo pela bacia, o bebê saindo de dentro dela, seu colo se abrindo, água caindo, coisas ficando pesadas e pendentes, enfim, tudo o que tenha uma simbologia de descida e abertura. 



TERAPIAS CLASSIFICADAS COMO ALTERNATIVAS 



Apesar de não estar entre as terapias "cientificamente comprovadas", têm sido largamente empregadas por diversos profissionais com resultados excelentes.  


Homeopatia - Existem vários recursos em homeopatia para o trabalho de parto, para auxiliar no relaxamento, na dilatação, na indução e aceleração. 

Acupuntura – pode ser usada para alívio da tensão, indução e aceleração do parto.

Cromoterapia - relaxa durante as contrações e suaviza muito as sensações fortes da expulsão, quando aplicada diretamente sobre a vulva.

Terapia Floral - abaixa o nível de ansiedade, ajuda a lidar com o medo, tranquiliza e acalma, permite uma percepção mais aguçada, reforça a resistência física e emocional
Essas são apenas algumas das sugestões. Existem aparatos interessantes como a bola suíça, uso de óleos vegetais específicos, objetos familiares à parturiente. Preparação para o parto, leitura de livros, conversas com outras mães, também são ótimas opções. Tudo é válido quando o objetivo é proporcionar uma rica experiência de parto, que possa inaugurar com chave de ouro uma nova fase para a família envolvida.





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Sobre a Dor do Parto 

Tipos de Parto

Antes de mais nada deveríamos nos perguntar: é possível classificar um parto por “tipo” antes dele acontecer? É possível saber como será o seu parto antes que ele termine? A resposta deveria ser não. O ideal é que só soubéssemos mesmo na hora. O natural seria que cada mulher pudesse escolher durante o parto a posição que para ela, naquele momento, fosse a mais fisiológica e favorecedora para o nascimento. Se o bom é continuar dentro da banheira com água, acocorar-se ou deitar. E só saber se irá para uma cesariana em caso de real necessidade, o que segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde) deveria corresponder a apenas 15% dos partos, incluindo aí as gestações de maior risco.
  • a área da pélvis é aumentada em até 40%, facilitando a passagem do bebê;
  • o feto desce com a ajuda da gravidade;
  • a eficiência do esforço muscular da mãe é muito maior nesta posição;
  • as contrações uterinas são mais eficazes e, portanto, a duração do parto e a dor são menores;
  • a elasticidade do períneo é menos comprometida, mantendo sua integridade;
  • a posição horizontal obriga o feto a subir durante a expulsão para vencer a forma da curva pélvica, e exige da mãe um esforço muito maior para o mesmo fim;
  • há uma diminuição comprovada da incidência de intervenções medicamentosas, instrumentais e cirúrgicas nos partos verticais;
  • na posição horizontal a compressão feita pelo peso do feto (somado ao peso do útero, placenta e líquido) na veia cava da mãe, produz efeitos negativos na mãe e no feto, comprometendo a circulação sanguínea podendo levar ao sofrimento fetal.


Hoje ouvimos falar em vários “tipos de parto:” parto normal, parto vaginal, parto natural, cesárea, parto a ferro (fórceps), parto na água, parto Leboyer, parto sem dor, parto humanizado, parto de cócoras, e assim por diante. Antes de explicá-los é importante pensar de onde surgiram as classificações dos “tipos de parto” de que hoje tanto ouvimos falar.

A separação dos partos por tipos é relativamente recente e só aconteceu como conseqüência do nosso sistema obstétrico, ou seja, depois que a maioria dos partos passou a ocorrer dentro do ambiente hospitalar, há aproximadamente 70 anos . Desde então o parto passou a ser feito quase que exclusivamente pelos médicos, em macas horizontais, com mulheres em posição ginecológica. A partir daí a classificação ficou óbvia: “Parto Normal” ou “Cesariana”. Não havia alternativas, ou a mulher se adaptava a parir nas condições padronizadas ou ia para a cesárea.

As condições padronizadas hospitalares sob as quais as mulheres deveriam tentar o parto normal eram: separação do companheiro, salas de pré-parto coletivas sem privacidade, impossibilidade de movimentação, soro com hormônios e intervenções para acelerar o parto, período expulsivo com a mulher deitada de costas e pernas amarradas na perneira (o que reduz em 40% o espaço para a passagem do bebê e diminui a circulação para mãe e feto), comandos para fazer força, equipe pressionando barriga da mulher, corte rotineiro no períneo, entre outros.

Estas condições padronizadas para o parto infelizmente ainda são comuns na maioria dos hospitais brasileiros. Muitas mulheres chamam criticamente o parto normal hospitalar, com todas as suas intervenções de rotina, de “parto vaginal hospitalar”; já pouco ele apresenta de “normal” ou “natural”.

Muitas vezes o parto sob estas condições ficava difícil e aplicava-se o fórceps alto (um instrumento de ferro como uma tesoura grande, com duas colheres metálicas que entram na vagina e seguram a cabeça do bebê puxando-a para fora). Esta intervenção trazia muitas vezes seqüelas para o recém-nascido e para a mãe. Ficou conhecido como “Parto a Ferro” ou “Parto Fórceps”. Hoje se utiliza apenas o fórceps de alívio, quando a cabeça do bebê está mais em baixo no canal de parto. É um ótimo recurso para acelerar o período expulsivo em casos emergenciais, se o bebê apresentar sofrimento fetal, o que é exceção e não a regra em uma gestação de baixo risco.

A partir da década de 70, no pós-segunda guerra e dentro do movimento revolucionário que se iniciou com o movimento hippie, alguns médicos e mulheres passaram a questionar o excesso de intervenções e melhores condições para dar a luz, propondo o resgate do parto como um evento fisiológico, familiar e afetivo. A partir daí surgiram as demais possíveis classificações das “formas de nascer”.

Parto Leboyer
Na França, o obstetra Frédérick Leboyer focou-se no recém-nascido e defendeu uma forma menos violenta de nascer. Foi o primeiro a considerar a importância do vínculo mãe-recém-nascido no momento do nascimento.  Pouca luz, silêncio, massagem nas costas do bebê, esperar o cordão parar de pulsar para o bebê fazer a transição respiratória de forma mais suave, banho do bebê perto da mãe, amamentação precoce. No entanto seu foco era o bebê, não a mulher. Geralmente estava deitada de costas, pernas em estribos e o uso da episiotomia era rotina.

Parto de Cócoras
Janet Balaskas liderou o movimento pelo “parto ativo” em Londres, na década de 80. Trabalhava com gestantes em aulas de yoga e preparando-as para uma postura mais ativa no parto. Observou que raramente ocorriam depressões-pós-parto, problemas com amamentação ou recuperação da parturiente. Onde havia liberdade para movimentação das mulheres e elas podiam seguir seus instintos e a lógica fisiológica do corpo durante o parto, a grande maioria preferia adotar a posição vertical ou de cócoras durante a fase expulsiva, por ser mais rápido e cômodo para a mulher e mais saudável para o bebê.

Desde a mais remota antiguidade as mulheres procuravam posições que facilitassem o parto. Nas gravuras antigas o mais comum é ver mulheres ajoelhadas, de cócoras, ou em banquinhos baixos de parto. De um jeito ou de outro o que se observa é que as costas estão em posição vertical. A posição das pernas é variável.

Inúmeros estudos nos últimos 70 anos mostram as vantagens da posição vertical ou de cócoras durante a expulsão:


No Brasil o Dr. Moysés Paciornik estudou comunidades indígenas e resgatou o parto verticalizado. Criou com seu filho Dr. Cláudio Paciornik uma cadeira para ser usada em hospitais, que permitia várias posições para a mãe, sem comprometer o conforto do médico. Embora não haja necessidade de cadeiras especiais para que a mulher assuma essa posição, muitos profissionais afirmam que não fazem partos de cócoras porque no hospital não existe "a cadeira para parto de cócoras" à disposição.

Para ter um parto de cócoras não é preciso ser atleta nem fazer grandes preparações. A mulher só assume a posição de cócoras (ou senta-se no banquinho de parto ou cama de parto) na fase final do parto e só durante as contrações, descansando nos intervalos. O pai pode participar do parto mais ativamente, oferecendo apoio com seu corpo atrás da mulher.

Termo que surge também na década de 80, no movimento pelo parto ativo, com a popularização das questões ecológicas e com a retomada do parto pelas mulheres. Refere-se ao parto sem medicamentos, intervenções desnecessárias e anestesia, que muitas vezes acontece em casa.

Parto na Água
O obstetra francês Michel Odent, na cidade de Pithiviers, começou a usar banheira com água quente para o conforto das parturientes e alívio da dor. Algumas parturientes se sentiam bem dentro da banheira e o bebê nascia ali mesmo. De lá para cá, o parto na água tem sido utilizado no mundo inteiro, em banheiras especiais ou improvisadas. Estudos científicos comprovam que o uso da água quente no trabalho de parto é um excelente coadjuvante no combate à tensão e à dor, ajudando significativamente na dilatação do colo de útero. O nascimento para o bebê é muito mais suave e o períneo da mãe ganha maior flexibilidade com a água quente.

No Brasil pouquíssimas clínicas e médicos oferecem esse conforto às pacientes, infelizmente. Mas é possível levar uma banheira inflável para o apartamento de alguns hospitais e se utilizar da água pelo menos durante o trabalho de parto.

*Para saber mais sobre o parto na água: “O Parto na Água” Cornelia Enning; editora Manole.

Parto Sem Dor
O termo tem várias conotações. Os métodos psicoprofiláticos desenvolvidos especialmente nos Estados Unidos propunham uma espécie de treinamento às gestantes, baseado em técnicas respiratórias, de relaxamento, de concentração, entre outras. A idéia geral é que uma mulher bem preparada para o parto e bem acompanhada durante todo o processo terá muito menos dor do que uma mulher assustada e tensa. A idéia faz sentido, mas convém lembrar que a dor do parto continua existindo, agora sem o sofrimento causado por medo e tensão. Os métodos mais conhecidos são Bradley, Lamaze e Hipnobirth.

No Brasil "Parto Sem Dor" é comumente confundido com parto sob anestesia. Obviamente a anestesia bloqueia a dor, mas também diminui as sensações das pernas e do assoalho pélvico. Essas sensações são responsáveis pela força que a mulher faz na hora de "empurrar" o bebê para fora. Portanto, embora haja o bloqueio à dor, alguns efeitos indesejáveis como a perda do controle sobre o processo do parto, entre outros, podem ocorrer. Em muitos serviços médicos a anestesia é aplicada no final do trabalho de parto, já no período expulsivo, de modo que o período de dilatação não se passa sob efeito das drogas anestésicas. De qualquer modo, as formas naturais de se lidar com a dor deveriam ser largamente oferecidas e utilizadas antes de serem aplicados os métodos farmacológicos de bloqueio da dor.

Parto Humanizado
Termo atual que tem sido usado indiscriminadamente e sem uma definição real do termo. Para o Ministério da Saúde, parto humanizado significa o direito que toda gestante tem de passar por pelo menos 6 consultas de pré-natal, ter sua vaga garantida em um hospital na hora do parto e agora ter o direito a um acompanhante de escolha. Para alguns hospitais significa a presença de um acompanhante, música na sala de parto e a permissão de ficar alguns minutos com o bebê antes dele ser levado para o berçário.

Para o Rehuna (Rede Brasileira pela Humanização do Nascimento) e para muitos movimentos como “Parto do Princípio”, “Ong Bem Nascer”, “Despertar do Parto” entre muitos outros é devolver o papel principal do parto à mulher e promover uma atenção ao parto centrado nas escolhas e necessidades individuais de cada mulher. Se a mulher vai escolher dar à luz de cócoras ou na água, quanto tempo ela vai querer ficar com o bebê no colo após seu nascimento, quem vai estar em sua companhia, se ela vai querer se alimentar e beber líquidos, todas essas decisões deverão ser tomadas por ela, protagonista de seu próprio parto e dona de seu corpo. São decisões informadas e baseadas em evidências científicas. O papel do médico e de toda a assistência seria a de oferecer apoio e respeitar a fisiologia do parto só interferindo se houver real necessidade e não rotineiramente.

Por: Eleonora de Moraes

Veja no quadro abaixo algumas das principais diferenças entre o parto normal hospitalar padrão e o parto humanizado.Veja no quadro abaixo algumas das principais diferenças entre o parto normal hospitalar padrão e o parto humanizado.

PARTO NORMAL X HUMANIZADO

A expressão se popularizou, mas muita gente ainda não sabe o que é, afinal de contas, um parto humanizado.

Um ambiente acolhedor, com pouca luz e música suave, para deixar a mulher mais à vontade durante o trabalho de parto. Para muita gente, é isso o que diferencia um parto humanizado de um parto normal hospitalar padrão.

Quando se fala em humanização da assistência ao parto, porém, há muito mais coisas em jogo do que a beleza das instalações e a gentileza no trato com as parturientes. Envolve também uma mudança de atitude: respeitar os desejos das mulheres.

“Existem dois tipos de humanismo: o que eu chamo de humanismo superficial, no qual o quarto é bonito e a mãe é tratada de maneira amável, mas a taxa de intervenções não diminui, e o que eu chamo de humanismo profundo no qual a profunda fisiologia do nascimento é honrada”, observa a antropóloga norte-americana Robbie Davis-Floyd num artigo publicado pela revista Midwifery Today em 2007.

Mas a que intervenções exatamente ela se refere? Os procedimentos hospitalares realizados rotineiramente durante o parto são necessários para ajudar no processo natural, de modo a garantir a manutenção da saúde da mãe e do bebê, certo?
Errado. Essa é a primeira questão difícil de compreender: pesquisas científicas mostram que muitas das intervenções médicas praticadas atualmente no parto normal são, na verdade, desnecessárias e prejudiciais. No entanto, continuam sendo feitas. Por quê? Boa pergunta…

O uso rotineiro de enema (lavagem intestinal), de raspagem dos pelos púbicos, de infusão intravenosa (soro) e da posição supina (mulher deitada de barriga para cima) durante o trabalho de parto estão entre as condutas consideradas claramente prejudiciais ou ineficazes e que deveriam ser eliminadas, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Apesar disso, fazem parte do protocolo de assistência de muitos hospitais e maternidades, sendo realizadas todos os dias, de forma indiscriminada.

O mesmo vale para os procedimentos com o recém-nascido: na maioria dos hospitais, logo após o nascimento, os bebês têm as vias aéreas aspiradas pelo pediatra com o uso de sonda, mesmo aqueles que nascem saudáveis e que seriam capazes de eliminar por conta própria as secreções. Por outro lado, o contato pele a pele com a mãe, fundamental para o estabelecimento do vínculo, e a amamentação na primeira hora de vida, preconizada pela OMS, muitas vezes não são priorizados pela equipe.

No parto humanizado, por outro lado, nenhum procedimento é rotineiro: as intervenções são feitas de forma criteriosa e apenas quando realmente necessário.

A segunda questão complexa diz respeito à participação de cada um dos atores na cena do parto. Em nossa cultura, quem costuma ocupar o papel principal é o médico, que “estudou para isso”, como se ouve muito por aí. Nessa visão, cabe à mulher uma posição passiva. A última palavra é do profissional, pois o parto é um “ato médico”.

O movimento de humanização do parto, que cresce em várias partes do mundo, tem uma visão diferente: a mulher é protagonista do próprio parto e deve participar ativamente das decisões, em parceria com os profissionais que lhe dão assistência.
No parto humanizado, a mulher é incentivada a se informar e a fazer suas próprias escolhas. Seus desejos são acolhidos e respeitados.

Veja no quadro abaixo algumas das principais diferenças entre o parto normal hospitalar padrão e o parto humanizado.


Normal
Humanizado
Pré-natal
Em geral, limita-se a avaliar a saúde física da mulher e do bebê. Aspectos emocionais da gestação ficam em segundo plano. Fala-se pouco de parto.
Avalia a saúde física da mulher, incluindo todos os exames recomendados pela OMS, e também dá grande ênfase ao preparo emocional da mulher para o parto e a maternidade.
Início do trabalho de parto
Dificilmente permite-se que a gestação ultrapasse 40 semanas. Quando atinge esse “limite”, a mulher é internada para a indução do parto com medicamentos ou vai para a cesárea porque “passou da data”.
Costuma ser espontâneo, ainda que o tempo de gestação ultrapasse as 40 semanas (com consultas e exames mais frequentes após 41 semanas).
Ruptura da bolsa
Em geral é provocada pelo médico, com uma espécie de agulha, para acelerar o trabalho de parto.
Costuma acontecer naturalmente, de forma espontânea, ao longo do trabalho de parto.
Duração do trabalho de parto
É acelerada com ocitocina sintética (hormônio), que intensifica as contrações.
Respeita-se o ritmo natural do nascimento, que varia muito de um parto para o outro.
Posição durante o trabalho de parto
Deitada na cama, de barriga para cima. Um cinta presa na barriga da mulher e ligada a um aparelho (cardiotocografia) monitora as contrações e os batimentos cardíacos do bebê.
A mulher tem liberdade para escolher e alternar posições. Pode sentar na bola de parto, deitar na banheira, ficar de quatro sobre cama, acocorar-se nas contrações...
Anestesia
No atendimento particular, é um procedimento de rotina (para todas as mulheres, ao atingirem um determinado estágio de dilatação). No serviço público, não está disponível tão facilmente.
É uma escolha da mulher, que é incentivada a dar preferência a métodos naturais de alívio da dor, como massagens, banhos mornos e o suporte físico e emocional de uma doula (acompanhante de parto). Quando a mulher decide pelo alívio medicamentoso, é feita uma analgesia, que tira a dor, mas não os movimentos.
Local
Hospital (sala de parto ou centro cirúrgico).
Hospital (suíte de parto normal, com chuveiro, banheira e bola de parto), em casa de partos ou em casa (apenas para gestantes de baixo risco).
Episiotomia (corte no períneo)
Procedimento de rotina, feito em praticamente todos os partos normais.
Realizada raramente, apenas se absolutamente necessário. 
Contato com o bebê após o nascimento
O cordão umbilical é cortado imediatamente, o bebê é mostrado para a mãe e levado pelo pediatra para uma série de exames e intervenções, como a aspiração das vias aéreas superiores e a aplicação de colírio de nitrato de prata.
Se o bebê nasce bem (o que é o caso da maioria), a prioridade do pediatra é garantir o contato pele a pele do recém-nascido com a mãe. O bebê é apenas enxugado e coberto com panos macios, no colo da mãe. São oferecidas todas as condições para que ocorra a amamentação na primeira hora de vida. A aspiração é feita apenas se for realmente necessário. O cordão é cortado só depois que para de pulsar. 
Participação da mulher
A gestante tem uma posição passiva diante do processo do parto. É considerada uma “paciente” e, como tal, é esperado que aceite as decisões do médico, que é quem está de fato no comando da situação.
Compartilha a tomada de decisões com a equipe responsável pela assistência ao parto, que pode contar com médico ou parteira (enfermeira obstetra ou obstetriz). No segundo caso, o obstetra fica na retaguarda e é acionado apenas se necessário.



Autor: Por Luciana Benatti
Fonte: Casa Moara