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O AMOR À PRIMEIRA VISTA, ou imprinting

O AMOR À PRIMEIRA VISTA, ou imprinting, é um fenômeno instintivo e natural que ocorre nos animais, logo após o nascimento. Os filhotes reconhecem suas mães e criam vínculos graças ao poder dos hormônios e outras substâncias naturais produzidas e liberadas pelo organismo materno durante o trabalho de parto.
Para isto, é necessário permitir-se parir! Sem interferências, sem substâncias sintéticas, num ambiente acolhedor e relaxante. Só assim a fisiologia do parto acontecerá naturalmente. Só assim o cérebro da mãe produzirá e liberará os hormônios do parto que ativam o instinto materno e aliviam as dores.


Segue texto baseado no artigo Ecstatic Birth - Nature’s Hormonal Blueprint for Labor de Sarah Buckley:

O PERFEITO E DELICADO SISTEMA HORMONAL DO PARTO
Como o corpo produz tudo o que é necessário para que o parto seja um evento seguro, e qual a conseqüência das interferências nesse processo?
É bem sabido que a vida na terra é composta de uma rede que interconecta todos os seres, onde um depende do outro para que o todo subsista. A própria natureza cria sistemas de auto-regulação que favorecem a vida. É como se fosse do próprio “interesse” do todo manter a reprodução dos seres vivos.
Assim, é inato a cada fêmea do reino animal - como a cada mulher - um sistema reprodutivo perfeitamente organizado para a manutenção da espécie e para que gerar, gestar, e parir sejam experiências seguras para a mulher. Num parto sem perturbações, o próprio organismo humano se ocupa de produzir analgésicos (beta-endorfinas) que aliviam as dores do parto, ou de atingir um pico de ocitocina que previne hemorragia pós-parto, por exemplo.
Mesmo sem receber informações sobre o que deve ser feito, sem ser “educado” para o parto, o corpo feminino será capaz de realizá-lo, da mesma maneira como realiza qualquer outra função fisiológica sem que haja necessidade de um comando racional para acionar esse mecanismo.

O PARTO É UM EVENTO FISIOLÓGICO
Em seus seminários, o obstetra francês Michel Odent lança sempre a pergunta: “qual é a parte mais ativa em uma mulher em trabalho de parto?” - o cérebro. É ele que comanda todas as contrações uterinas, a intensidade com que acontecem, o ritmo do trabalho; é o cérebro que acionará e liberará no organismo da mulher hormônios que vão além do nascimento em si, agindo na transformação da mulher (e todas as outras fêmeas) em uma mãe. Alguns hormônios atuam não apenas no nível físico, mas também no nível comportamental e emocional, como a prolactina, que ativa o instinto materno, ou as beta-endorfinas que criarão o laço de dependência e cuidado entre mãe e filho.
Há milhares de anos esse mecanismo fisiológico tem permitido que a espécie humana se perpetue. As intervenções médicas nesse processo, contudo, têm acarretado partos difíceis, traumáticos, e com sequelas comportamentais e emocionais, que se mostram seja nas mulheres com depressão pós-parto ou sentindo-se incapazes de cuidarem de seus filhos, seja na instituição de uma sociedade mais violenta, devido aos seus “novos integrantes” não terem recebido doses de hormônios previstos pelo cérebro.
Hormônios sintéticos (utilizados para induzir e/ou acelerar o trabalho), analgésicos, epidurais, ou mesmo condições externas como luz forte, por exemplo, podem interferir nessa rede hormonal e interromper o encadeamento fisiológico e a seqüência do trabalho. Hormônios sintéticos causam efeitos físicos em determinada parte do corpo, mas não atuam no comportamento como os hormônios produzidos pelo próprio cérebro, além de possuírem uma ação isolada, não sendo regulados de acordo com o que está acontecendo no resto do corpo da mãe e do bebê.

HORMÔNIOS NATURAIS X HORMÔNIOS SINTÉTICOS
Quando é ministrada ocitocina sintética a uma mulher durante o trabalho de parto, o número de receptores de ocitocina no útero é reduzido pelo corpo para prevenir uma estimulação em excesso. Isso significa que a mulher tem maiores riscos de hemorragia pós-parto, pois sua própria liberação de ocitocina, crítica nesse momento para contrair o útero e prevenir a hemorragia, será inútil devido ao baixo número de receptores.
A ocitocina materna atravessa a placenta e entra no cérebro do bebê durante o trabalho, agindo para proteger as células cerebrais fetais “desligando-as”, e diminuindo o consumo de oxigênio em um momento em que os níveis de oxigênio disponíveis para o feto são naturalmente baixos. A ocitocina sintética, porém, não tem a capacidade de atravessar a parede placentária, e não atingirá o organismo do bebê.
Outro efeito da ocitocina sintética é que as contrações produzidas por ela podem acontecer muito próximas umas das outras, impedindo que o bebê se recupere da pressão sofrida pelo útero. Em condições normais, o cérebro da mãe libera a ocitocina por meio de pulsações, e como os dois organismos – mãe e bebê - estão em comunicação durante o trabalho de parto por meio do fluxo sanguíneo comum, o cérebro conseguirá “ler” o nível de catecolaminas liberada na corrente sanguínea pelo bebê, regulando a intensidade e o ritmo das contrações de acordo com o nível de estresse vivido pelo bebê e pela mãe.
Os níveis de todos os hormônios presentes no momento do parto são regulados de acordo com o andamento do trabalho e do estado físico em que se encontra a mãe e o bebê. A alteração de um só elemento desestrutura toda essa delicada rede, cujas conseqüências se estendem para o pós-parto, o aleitamento e a relação emocional entre mãe e filho. Nos momentos finais da preparação do bebê para o nascimento, os hormônios atuam para amadurecer os pulmões e regular o sistema termogênico (regulação térmica) do recém-nascido.

OS DANOS CAUSADOS POR INTERFERÊNCIAS NO SISTEMA HORMONAL DO PARTO
Durante o período pré-natal, o cérebro do bebê está mais vulnerável a danos irreversíveis e estudos indicam que substâncias ministradas por volta da hora do parto, mesmo em pequenas doses, podem causar efeitos colaterais na estrutura do cérebro e na química do recém-nascido que talvez não sejam claros até a idade adulta.
Os medicamentos ministrados à mãe entram imediatamente na corrente sanguínea e vão igualmente ao bebê, e alguns desses medicamentos serão absorvidos preferencialmente pelo seu cérebro. A meia-vida das substâncias ministradas (ou seja, o tempo que se leva para reduzir em 50% o nível do medicamento da corrente sanguínea) é muito maior no organismo do bebê após o corte do cordão umbilical. A buvicaína, por exemplo (medicamento derivado da cocaína, usado como anestésico local), tem uma meia-vida de 2,7 horas no organismo adulto, mas cerca 8 horas em um bebê recém-nascido.
Os medicamentos utilizados em procedimentos de rotina nos partos continuam agindo no corpo da mãe e do bebê por horas após o parto, fazendo com que a mãe esteja sedada no momento de seu primeiro encontro com seu filho, e que o bebê nasça sob efeito dessas drogas, o que causa um imprinting químico no seu cérebro. As consequências desse fenômeno poderão ser percebidas na vida adulta como tendência física em reviver tal sensação experienciada no parto, causada por essas substâncias anestésicas. O "imprinting" previsto pela natureza para o cérebro do bebê neste momento seria aquele realizado pela ocitocina produzida pelo cérebro da mãe e do bebê durante um trabalho de parto sem interferências.
Para que o trabalho e o parto aconteçam de forma ideal, algumas medidas simples podem ser tomadas, que permitem que o sistema límbico (parte primitiva do cérebro, comum a todos os mamíferos) faça o trabalho de produção dos hormônios necessários ao parto e ao imprinting no cérebro da mãe e do bebê. O neo-córtex humano - a parte mais racional e moderna do cérebro, que quando em ação impede o perfeito funcionamento dos comandos do sistema límbico, que comanda as funções fisiológicas previstas para o parto - é estimulado por luzes fortes, pela construção de um raciocínio por meio da linguagem, pelo frio (libera adrenalina), e pela sensação de estar em risco. Evitar todos esses fatores é a condição básica para que o parto seja facilitado, e que o corpo coloque em ação o modelo fisiológico previsto para um parto seguro e prazeroso.

Por Letícia Koehler
Foto Rosevania Silva

Inspirações indianas para o puerpério



Mas pensando em maternagem, o que mais mais me marcou foi o respeito com a grávida e com a puérpera. Não esse respeito básico que temos por aqui: assento preferencial, não espera na fila… não, é  muito mais que isso. É quase uma reverência.
E olha que a Índia é um país extremamente machista, culturalmente machista. As indianas, ainda nos dias de hoje, andam atrás dos maridos, em muitas famílias elas só sentam para comer depois que eles terminaram. Não têm os mesmos direitos que os homens, são assediadas nos ônibus, e frequentemente violentadas. (Cabe um parêntesis aqui: a indiana, no geral, é super discreta: usa roupas longas, que cobrem todo o corpo, tem olhar tímido, fala baixo, ri baixo. Pra gente ver que a violência sexual contra a mulher  não depende de como ela se veste ou se porta, mas sim de quão machista é a sociedade em ela que vive!)
Mas a  mulher grávida e a puérpera estão a salvo. E o trato com elas é diferenciado. Arrisco dizer que até elas próprias têm mais respeito por si mesmas e pelos sinais do seu corpo do que nós ocidentais.
Na família tradicional indiana, em grande parte das vezes o casamento é arranjado. Hoje em dia menos, algumas mulheres mais independentes como a minha professora de Ayurveda a Dra. Sapna, casam pela sua própria escolha. A gente vive vendo em filmes dramas em cima disso, mas lá nem é tão assim! Conversando com várias indianas jovenzinhas, elas até acham bom. Elas acham que seus pais podem sim fazer escolhas boas para elas. E que o casamento começa morno, com o casal se conhecendo, surge a amizade, o respeito, o amor nasce, a paixão também e coisa ferve. Elas acham que aqui no ocidente casamos na fervura e logo a água esfria….. kkkkk…. é um ponto de vista, né? Enfim, há de se respeitar pontos de vista. Quando se viaja para conhecer e aprender com outras culturas, não cabem julgamentos.
Enfim, depois que casam, as esposas vão morar na casa da sogra, junto com a família do marido. Isso não deve ser fácil, dependendo da família, aí sim o drama pode ficar maior. Mas quando está gravida tudo cessa: as brigas, os desentendimentos, o trabalho pesado. A gravida é poupada de tudo. É poupada dos problemas triviais, dos filmes de terror, dos noticiários, do alimentos que não sejam frescos, ou seja… tudo, tudo, tudo que possa interferir de uma forma ruim na gestação. Nem sair de casa, elas não saem à toa. Precisa ter um motivo bem grande pra sair grávida nas ruas da Índia e pegar um ônibus ou rickshaw. É muito fusuê, muita gente, muita buzina, muita fumaça de diesel e tudo isso perturba a grávida e o bebê, seriamente.
Quanto ao parto, a maioria das indianas tem seus partos em hospitais, como aqui. Nem de longe com os índices de cesarianas como os nossos. Nos vilarejos mais distantes e de difícil acesso devem acontecer muitos partos em casa… isso não tive com checar ou  vivenciar, uma pena…
Mas quando o bebê chega… tudo muda para aquela mulher. Primeiro que ela volta para a casa da sua mãe, para receber os cuidados dela, de suas irmãs, primas e cunhadas. Faz-se uma verdadeira egrégora. (este termo é perfeito para descrever esse fato: Egrégora, ou egrégoro para outros, [do grego egrêgorein, Velar, vigiar] É o somatório de energias físicas, emocionais e mentais de duas ou mais pessoas, quando se reúnem com qualquer finalidade. – não é lindo?) Forma-se uma conjunção de energia feminina, com a força da natureza feminina e da Grande Mãe, apenas para atender aquela mulher.

Não, ninguém vai lá na casa dela só para conhecer o bebê e deixar a mãe recém-nascida aflita em ser uma boa e simpática anfitriã. Ela não recebevisita. Recebe ajuda. Quem vai lá vê-la, seja parente ou amigo(a), leva uma refeição, faz uma massagem em seus pés, cuida do bebê por um tempinho para que ela possa dormir.
Ela e o bebê são instalados no melhor cômodo da casa, a mãe é alimentada com refeições ricas em leite, em ervas que promovem a involução do útero, a descida e a  qualidade do leite materno. É massageada diariamente com óleos com o mesmo propósito, é banhada, tem todas as suas necessidades atendidas. É poupada das atividades domésticas: não precisa lavar a louça, varrer o chão, sair de casa para resolver coisas.  Tudo isso para que, nestes primeiros 40 dias de puerpério, ela possa recuperar as energias que se esvaíram com o esforço do parto, que ela possa amamentar, criar vinculo com o seu bebê e se preparar para retomar a sua vida cotidiana depois. Para estar energeticamente recuperada também, ao retornar para a vida a dois.
Isso tudo pode soar um tanto louco para nós, mulheres ocidentais workaholics, dominadoras, independentes… mas, peralá! Será que, durante o puerpério não temos o direito de desacelerar um pouco? Ou pior, será que não conseguimos desacelerar? Ou não conseguimos pedir ajuda? Porque não ficar meio indiana nesta fase e buscar ser poupada e poupar-se?
Porque o mundo ocidental exige demais: que as finanças não mudem, que o nosso corpo retorne rapidamente ao que era antes, que retomemos rapidamente a vida social, que voltemos às compras, ao mercado, ao banco, que continuemos dando conta da casa. Mas será que durante a gestação e puerpério é a melhor época pra isso tudo? As exigências do mundo ocidental não incluem o bebê, muito menos priorizam o cuidado com a puérpera. Como se nada tivesse mudado com o parto, como se o bebê fosse apenas uma novidade, tipo, dessas comuns. Como se a mulher fosse ser a mesma depois de ser mãe, como se a vida não mudasse e nós não precisássemos de um tempo para nos adaptarmos a uma nova realidade.
Pensa: quais as chances de uma mulher amamentar livre demanda se não tem sossego nem descanso? Se se alimenta com pressa, se tem um computador entre ela e seu bebê, se tem outras preocupações senão ser mãe, se tem tantos outros focos que não o bebê.
Merecemos nos dar o direito de parar e CURTIR o puerpério. De ter uma fase de readaptação, de recuperação de energias. De fazer com que este seja um período bom, de  união de forças femininas. De curtir no sentido mais amplo da palavra, acolhendo todos os sentimentos e emoções que surgirem. Bons ou ruins. De ser apoiada, amparada, ajudada.
Que nós consigamos nos permitir!

INDA2010-00139


Fonte :Vila Mamífera

Plano de Pós Parto




Chenia, Zaya e Onildo
Muitas famílias organizam a gestação e parto dos seus rebentos. Atualmente a mulheres tem optado por fazer o plano de parto, que é uma carta onde ela e o companheiro descrevem o que querem ou não durante o trabalho de parto, parto e assistência ao recém nascido. Não é uma carta de exigências, mas de desejos, que podem ser alterados de acordo com o desencadeamento do trabalho de parto e do parto.
O que venho falar aqui é que depois de 40 semanas (aproximadamente quanto dura uma gestação) de planejamentos e preparativos, quando se está com o bebê em casa, muitas se dão conta de que para além do plano de parto deveriam ter feito também um plano de pós parto.
A legislação vigente só concede ao pai, licença paternidade de 5 dias, talvez porque compreendam que o pai na verdade só deve ter tempo de registrar os seus filhos, haja vista tantas campanhas do ministério público prol o reconhecimento de paternidade. E nenhuma por parte do governo para paternidade presente e consciente.
Durante o pós parto, assim como na gestação e no parto, a mulher passa por várias mudanças biológicas, psicológicas, relacionais e sociais. Diminuição do estrogênio e progesterona e aumento na produção da prolactina. Essas mudanças podem ser intensificadas por uma imposição social que imputa à mulher a condição de ser mãe e junto a isso amorosa, dedicada, e capaz de despender qualquer sacrifício, sem sentimentos de perdas, por sua prole e pela família.

Soneca de Zaya
Fatores como baby blues, depressão pós parto, fadiga excessiva, queda de cabelos, manutenção do peso anterior a gestação, falta de apetite sexual, nesse modelo de supermãe, não são condizentes com a boa mãe. Cobranças são feitas a todo o tempo de forma velada ou explicita, afinal a mulher moderna tem que estar pronta para desempenhar diversas funções simultaneamente, sem fraquejar, sem reclamar, pois não é isso que queríamos, que lutamos, que queimamos sutiãs?
As mudanças significativas na assistência ao parto começam a ser efetivamente implantadas no Brasil durante o século XIX, quando a medicina, tomou as rédeas desse evento. Até então, mas não somente, as mulheres eram cercadas por outras durante a sua gestação, parto e pós parto. Eram feitos rodízios de comadres, amigas, parteiras, mães, avós, todas essas estavam envolvidas no cuidar da outra e guardavam consigo o segredo e a magia que cercavam o gestar, parir e maternar.
Dois séculos depois, após o parto, aquela que recebia telefonemas, vistas, emails para saber de si durante a gestação, muitas vezes ficam por conta própria para os cuidados com a nova cria, da família, da casa e do trabalho. O foco agora é o bebê, ele é quem precisa de toda atenção e cuidado, a mulher agora é sutilmente negligenciada.
E assim começa aquilo que chamo de esquizofrenia da menas main, tem que ser mãe, tem que amamentar exclusivamente em livre demanda, tem que manter o lar arrumado e limpo, as outras crias( quando hão) impecáveis! Tem que ser boa esposa, receber bem as visitas e ainda se manter em forma, linda, bela. Não há espaços para senões, para fraquejamento.
Com a nova rotina instalada, como dar conta dos novos afazeres, da nova vida?
Pensar em como serão esses primeiros dias, sobretudo os 30 primeiros é indispensável para saúde materna, do bebê e da família.
O bebê passa a ser um ente público, todos querem ver, render graças, ver sorrir, tomar banho, mamar, enfim alguns protagonizam o seu próprio reality show nas redes sociais que dão notícias da vida cotidiana, quase que online, e ai daqueles que queiram isolar-se dela.
Não somente na maternidade, mas atualmente as vidas que, por uma regra de conduta burguesa do início do século XX, deveria se manter privada, hoje, voltamos a publicização escancarada e por vezes, mal elaborada das nossas intimidades.

Visita da Dinda Reijane dos primos Micael e Larissa e do Tio Mica
O ideal é organizar sua rotina. Agende suas visitas, mande-lhes carta de comportamento, explique que agora o momento é outro.
Por mais que as apelações externas venham: parentes que moram distantes, que moram perto, amigos e afins, a mulher sobretudo, você deve se preservar durante o puerpério, abrindo portinholas aos que lhe farão bem, sem culpas.
Explique que não é acertado fazer visitas pelo menos 30 dias depois do parto. O primeiro mês é o mais delicado, a família está se adaptando a nova rotina com o filhote e este idem, é preciso deixar espaço, e ser necessário quando convidado e não quando se quer ser.
Se as visitas forem imprescindíveis estabeleça regas como horários, tempo de duração e arranjos caso algum empecilho ocorra como: desconfortos do bebê, cansaço da materno, ou tão somente falta de disponibilidade em atender quem chegou, sem culpas, sem ressentimentos.
Afaste-se dos palpiteiros de plantão (Seu leite é fraco, eu dava mingau a noite, seu marido não vai aguentar essa rotina, não há problemas em dar leite A ou B, e sobretudo os da teoria criei 100 com leite de lhama com achocolatado e não morreu nenhum, vai saber… a morte física não é a pior morte, existem muitas subjetividades). Agora é sua vez de maternar e insegurança pode e deve aparecer, pessoas que só fazem lhe deslegitimar não ajudarão em nada, só trarão suas próprias inseguranças para somar as suas, não é hora de ser terapeuta do outro.
Você precisará de companhias, que respeite o seu momento, e que estejam prontas a ajudar de fato. Alguém para ficar com o bebê para que possa tomar um banho mais demorado, para tirar um cochilo, mas sem que isso seja uma imposição, mas uma necessidade partindo de você.
Se puder, tenha uma diarista para dar conta dos serviços domésticos, ou talvez pessoas da família que estejam dispostas a ajudar sem cobranças, as visitas também poderão colaborar lavando pratos, catando as fraldas, fazendo uma comida, enfim, você é a dona da varinha de condão.

Reunião da Aldeia Materna
Construa seu círculo feminino, sua Aldeia Materna, mulheres amorosas, aquelas que poderão lhe dar um help naquela hora em que o bebê está com gases, que dispõe de “5 minutinhos” no telefone para contar o dia, chorar as pitangas, dizer o quanto seu bebê é lindo, fofo e está tão feliz, ou não, pois não estar feliz não lhe faz uma mulher atípica, muitas de nós passamos por isso, então compartilhe, se desejar, com pessoas que poderão lhe ajudar de fato.
Envolva seu companheiro nesse processo, afinal quando nasce uma mãe, nasce também um pai, que cada vez mais está presente e ativo na paternidade consciente. Momentos como tomar um banho de chuveiro com o bebê ajuda nessa formação do vínculo dá uma trégua para você e reforça os laços familiares.
Saia da teoria de que homens não sabem cuidar, pegar ou trocar o bebê.
Converse com seu companheiro, ouça ele também, estabeleçam momentos de intimidade nem que seja para ficarem juntinhos numa sonequina, ou vendo um filme, sem pensar se dará tempo de ver os créditos.

Avó materna Sisi e avó paterna Lindinha
As avós (materna ou paterna) em geral estão dispostas a colaborar, tendo o know-how de  sua experiência materna, conte com elas, são de grande ajuda, mas peça licença para maternar! Afinal a mãe agora é você, estabeleça limites, é muito importante para sua estima, saúde e crescimento e claro uma mãe tranquila e segura terá muito mais chances de ter um bebê idem.
Não tenha receio de ter um calundu homérico. Depois de um tempo coloque a culpa nos hormônios e se for o caso peça desculpas kkk.
Pessoas sensíveis entenderão os seus motivos, seus desejos.

Eu, Onildo e Zaya – Foto de Ieda Marques
Essas são algumas considerações que faço pensando nos diversos relatos de mulheres, que vi, que li, que convivi e também na minha experiência como mãe, mulher, doula e artesã de slings.
Um caminho de luz para essa nova família!
Por: Doula Chenia d’Anunciação

O que Cesárea Eletiva tem a ver com Prematuridade? TUDO


Cesariana Eletiva e Prematuridade. Uma relação além de casual 
O Brasil é o 10º país no mundo em número de nascimentos prematuros mostrou a Folha de S.Paulo hoje citando um levantamento da Organização Mundial da Saúde divulgado ano passado. Sim, por aqui, são cerca de 280 mil bebês prematuros por ano. E o mais triste de tudo isso é que esse número poderia ser bem menor se não fôssemos o país campeão mundial da cesárea.
Enquanto a Organização Mundial da Saúde recomenda um máximo de 15% de cesáreas, o Brasil alcança os 90% em instituições privadas. Facilidades, comodismo e baixa remuneração estão entre os itens que contribuem para esse número alarmante. Eu adiciono aí também a falta de conhecimento de muitos profissionais que, já na faculdade, aprendem mitos sobre o parto normal preferindo fazer cesáreas e desconhecendo a verdadeira assistência a um parto natural.
Entre as desculpas conhecidas por aí para agendar a cesárea, encontramos: circular de cordão, bacia pequena da mãe, pressão alta, diabetes, sofrimento fetal com agendamento para dali a 2 ou mais dias (ué, o bebê não estava em perigo?), pouco líquido, muito líquido.
Além da própria cesárea ser um risco e trazer algumas complicações (das quais falaremos em outro post), no Brasil agendamos a cirurgia para um dia qualquer sem que o bebê tenha dado sinal de que está pronto para nascer. Existe a falsa ideia de que a partir da 37ª semana contada pela data da última menstruação o bebê já não seria mais considerado prematuro. Mas esse cálculo não consegue precisar a idade do feto, já que a concepção pode ter ocorrido em outra data.
O que acontece é que muitos bebês de 38 semanas vão parar na UTI por “desconforto respiratório” e “água no pulmão”. A matéria da Folha também cita um recente estudo da Fiocruz que acompanhou 24 mil gestantes pelo Brasil e 11% dos bebês precisaram de suporte para respirar ao nascer.
A prematuridade está relacionada a 28% das mortes infantis até os sete dias de vida e traz consequências para a criança que podem ser levadas por toda a vida.
Mas como posso saber se meu bebê está pronto para nascer?

A gestante só sabe que seu filho está maduro para nascer ao entrar em trabalho de  parto. Sim, estudos mostram que quando o bebê já está pronto, ele libera hormônios que estimulam a placenta a secretar prostaglandina, responsável por amadurecer o colo do útero.

Por isso, se houver qualquer razão pessoal (e nesse momento tento deixar meu ativismo pelo parto natural de lado), para você optar por fazer uma cesárea, faça-a depois de entrar em trabalho de parto. Infelizmente, muitos médicos nem permitem que isso aconteça já que para eles é melhor ter tudo agendado para não ter que cancelar a agenda do dia para atender uma gestante em trabalho de parto.
Pense no que é melhor para você e seu filho. Você pode e tem o direito de fazer suas próprias escolhas!
(Texto adaptado)

Fonte: Escolhi ser mãe

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Cesariana Eletiva e Prematuridade

¿Por qué llora mi bebe? / Porque o meu bebê chora? - Laura Gutman

Laura Gutman falando brevemente sobre o choro do bebê. Deixar ou não chorando? Qual a necessidade de comunicação desses seres tão indefesos?

Parte 1


Parte 2


Texto Relacionado
A Fusão Emocional

A Fusão Emocional

Esse é um dos meus textos preferidos sobra relação mãe/bebê/mundo. 

Quando pensamos no nascimento de um bebê, nos parece evidente falar de separação. O corpo do bebê que estava dentro da mãe, alimentando-se do mesmo sangue, se separa e começa a funcionar de maneira independente. Tem de colocar em andamento seus mecanismos de respiração, digestão, ajuste de temperatura e outros para viver no meio aéreo. O corpo físico do bebê começa a funcionar separadamente do corpo da mãe.
Em nossa cultura, tão acostumada a ver apenas com os olhos, acreditamos que tudo o que há para compreender acerca do nascimento de um ser humano refere-se a desprendimento físico. No entanto, se elevarmos nossos pensamentos, conseguiremos imaginar que esse corpo recém-nascido não é apenas matéria, mas também um corpo sutil, emocional, espiritual. Embora a separação física aconteça efetivamente, persiste uma união que pertence a outra ordem.
De fato, o bebê e sua mãe continuam fundidos no mundo emocional. Este recém-nascido, saído das entranhas físicas e espirituais da mãe, ainda faz parte do entorno emocional no qual está submerso. Pelo fato de ainda não ter começado a desenvolver o intelecto, conserva suas capacidades intuitivas, telepáticas, sutis, que estão absolutamente conectadas com a alma da mãe. Portanto, este bebê se constitui de um sistema de representação da alma materna. Dito de outro modo, o bebê vive como se fosse dele tudo aquilo que a mãe sente e recorda, aquilo que a preocupa ou que rejeita. Porque, neste sentido, são dois seres em um.
Assim, de agora em diante, em vez de falarmos “bebê”, faremos referencia a “bebê-mãe”. Quero dizer que o bebê é na medida em que está fundido com a mãe. E, para falar de “mãe”, também será mais correto nos referirmos à “mãe-bebê”, porque a mãe é na medida em que permanece fundida com seu bebê. No campo emocional, a mãe atravessa esse período “desdobrada”, pois sua alma se manifesta tanto em seu próprio corpo como no corpo do bebê.
E o mais incrível é que o bebê sente como próprio tudo o que sua mãe sente, sobretudo o que ela não consegue reconhecer, aquilo que não reside em sua consciência, o que relegou à sombra.

Continuando nessa linha de pensamento, quando um bebê adoece, chora desmedidamente ou se altera, precisamos, além de nos fazer perguntas no plano físico. Atender ao corpo espiritual da mãe – para chama-lo de alguma maneira, reconhecendo que a doença ou a ansiedade nos levam a anular o sintoma ou o comportamento indesejável da criança, perdemos de vista o significado dessa manifestação. Ou seja, perdemos de vista algumas pedras preciosas que emergiram do vulcão interno da mãe, trazendo mensagens exatas para ela mesma, cujo desconhecimento seria lamentável.

A tendência de todos nós costuma ser rejeitar as partes de sombra que escoam pelos desvãos da alma. Por algum motivo se chama “sombra”. Não é fácil vê-la, nem reconhece-la, tampouco aceita-la, a menos que insista em se refletir nos espelhos cristalinos e puros que são os corpos dos filhos pequenos.

Concretamente, se um bebê chora muito, se não é possível acalma-lo nem o amamentando nem ninando, enfim, depois de atender às suas necessidades básicas, a pergunta deveria ser: por que sua mãe chora tanto? Se um bebê tem uma erupção, a pergunta deveria ser: por que a mãe está tão permeável? Se ele não se conecta, parece deprimido, pergunte-se: quais são os pensamentos que inundam a mente da mãe? Se rejeita o seio: quais são os motivos que levam a mãe a rejeitar o bebê? , entre outras questões. As respostas residem no interior de cada mãe, mesmo que não sejam evidentes. É nesse sentido que devemos dirigir nossa busca, na medida em que a mãe tenha a intenção genuína de encontrar a si mesma e se permita receber ajuda.
Estamos acostumados a rotular as situações nomeando-as de maneira superficial: “chora por capricho”, “pegou um vírus”, “precisa de limites!”, etc. Claro que as bactérias e os vírus são necessários para realizar a doença, permitindo que a sombra se materialize em algum lugar propício para ser vista e reconhecida.

Nesse sentido, cada bebê é uma oportunidade para sua mãe ou figura materna retificar o caminho do conhecimento pessoal. Muitas mulheres iniciam, com a experiência da maternidade, um caminho de superação, apoiadas por perguntas fundamentais. E muitas outras desperdiçam sem cessar os espelhos multicoloridos que aparecem diante delas neste período, ignorando sua intuição e achando que ficaram loucas, que não podem nem devem sentir este emaranhado de sensações disparatadas.

O bebê é sempre um mestre graças a seu corpo pequeno, que lhe permite maior expansão no campo sensível. Por isso conseguem manifestar todas as nossas emoções, sobretudo as que ocultamos de nós mesmas. Aquelas que não são apresentáveis socialmente. As que desejaríamos esquecer. As que pertencem ao passado.

Este período de fusão emocional entre o bebê e a mãe se estende quase sem alterações pelos 9 meses, quando o bebê consegue se deslocar de maneira autônoma. Só por volta do nono mês o bebê humano consegue atingir um estágio de desenvolvimento que os demais mamíferos alcançar poucos dias depois de nascer. Nesse sentido, podemos nos comparar com as fêmeas dos cangurus, que carregam suas crias durante um tempo dentro do útero e depois ao longo de um período semelhante fora dele, completando o desenvolvimento de que o bebê precisa para começar a manifestar sinais de autonomia.

AS CRIANÇAS SÃO SERES FUSIONAIS

Este modo intrínseco de se relacionar "fusionalmente" é comum a todas as crianças e transcorre lentamente. De fato, o recém-nascido, que só está fundido com a emoção da mãe ou da figura materna, necessita, à medida que vai crescendo e para entrar em relação com os demais, ir criando laços de fusão com cada pessoa ou objeto que ingresse em seu campo de intercambio. Assim vai se transformando em “bebê-pai”, “bebê-irmãos”, “bebê-pessoa-que-vai-cuidar-de-mim”, “bebê-objeto-que-tenho-nas-mãos”, em “bebê-outras-pessoas”, etc. O bebê é na medida em que se fundo com aquilo que o cerca, com os seres que se comunicam com ele e com os objetos que existem a seu redor, os quais, ao tocar, se transformam em parte do seu próprio ser.Isso significa que os bebê e as crianças pequenas são seres fusionais, ou seja, que, para serem, precisam entrar em fusão emocional com os outros. Este ser com o outro é um caminho relativamente longo de construção psíquica em direção ao “eu sou”.

Podemos ver um exemplo muito claro quando levamos uma criança pequena a uma festa de aniversário: as mães ficam ansiosas para que participe da empolgação, mas o pequeno não consegue sair da barra da saia do adulto. Depois, se aproxima dos animadores e observa. Quando a festa está chegando ao fim, a criança está entusiasmada, excitada, participativa e com vontade de ficar. Naturalmente não raciocina quando o adulto a puxa para ir embora. O que acontece? É um bebê caprichoso? Não, é uma criança saudável em franca fusão emocional. Precisa de tempo para estabelecer uma relação com o lugar, o ruído, o cheiro, a dinâmica, a atividade e os novos rostos... e quando já está pronto para se inter relacionar, é exigido dele mais uma vez que mude de realidade e recomece a fusão emocional com outra situação: a rua, a volta para casa, a pressa, o carro, etc. Normalmente as crianças aceitam se retirar quando levam consigo algo que as conecte com o lugar com o qual entraram em relação "fusional".

É fundamental compreender que não estão sendo mal-educadas quando querem levar algum objeto, mesmo que seja insignificante (um carrinho, um doce, um enfeite), mas estão atendendo ao ser essencial da criança pequena. E que aquilo que os adultos tem de lhes oferecer é tempo para permitir que passem de uma fusão à outra. Alguns adultos se irritam diante da insistência das crianças em levar algum objeto da casa dos parentes ou amigos. Minha sugestão é que permitam, com o compromisso de devolver o objeto na próxima visita; caso contrário, as crianças acabam escondendo nos bolsos tudo o que podem, para horror dos pais, que, quando descobrem isso, ficam achando que a criança virou uma ladra!

Este estado "fusional" das crianças vai diminuindo com o passar dos anos, à medida que seu “eu sou” vai amadurecendo em seu interior psíquico e emocional. Mas cabe destacar que uma criança que foi levada a suportar grandes separações quando era muito pequena tenderá a permanecer em relações fusionais por muito mais tempo. Na idade adulta, isso se transforma em relações possessivas, cansativas, baseadas em ciúmes e desconfiança, que, na realidade, não passam de um grito desesperado de quem não quer ficar eternamente só.

INÍCIO DA SEPARAÇÃO EMOCIONAL

As crianças dão o grande salto por volta dos 2 anos, 2,5 anos. É quando dão início, naturalmente, a sua lenta separação emocional. O que acontece nesta fase? Começa o desenvolvimento da linguagem verbal. No princípio, chamam a si mesmas por seu nome na terceira pessoa do singular: “Matias que água”. Dentro da vivência da fusão emocional o menino está dizendo que Matias e Mamãe querem água, porque são 2 em 1.

Finalmente, um belo dia acordam dizendo “eu”: “Eu quero água”. Esse é o ponto de partida no caminho da separação emocional que leva à constituição do “eu sou”, que será concluído na adolescência.

Como podem perceber, essa passagem da fusão à separação requer do ser humano longos 13 ou 14 anos, conforme cada indivíduo. Como ficamos sabendo? Limitando-nos a observar as crianças e levando em conta como as situações emocionais de seus pais influem nelas.

A título de curiosidade, pensemos nas crianças de 1 ano ou de 18 meses, que, ao olhar uma foto de si mesmas, costumar exclamar: “Mamãe!”. É que elas e a mãe são uma coisa só.

Chegar aos 2 anos e pensar, de maneira organizada, em si mesma separada dos outros representa um salto importantíssimo no processo de desenvolvimento da estrutura psíquica da criança. Não estamos nos referindo apenas aos domínio da linguagem verbal, mas a toda uma concepção de si mesmo como ser separado, capaz de interagir com os outros.
A emoção, a completude com a mãe, deixa de ser tão absoluta. Perdem definitivamente o paradisíaco, pois através da fusão com a mãe os bebês se sentem unidos ao universo. Talvez os adultos não devessem esquecer que nós todos somos uma coisa só.

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LAURA GUTMAN
A Maternidade e o encontro com a própria sombra

Atendimento ao Recém Nascido

Prestar atendimento a um recém-nascido no momento do parto se restringe na maioria das vezes a observá-lo e dar a ele o crédito a que tem direito durante sua adaptação à condição de vida extra-uterina. Geralmente não é necessária nenhuma intervenção, médica ou de outra natureza.
O tipo de atendimento que se deve prestar ao bebê depende de alguns fatores e primeiramente da condição básica de saúde da mãe (antes mesmo da gravidez), do transcorrer da gestação e de suas intercorrências. Do ponto de vista estritamente técnico, é útil lembrar que o acompanhamento pré-natal, mesmo nas mais variadas culturas, constitui o pilar de sustentação do bom andamento da gravidez e do sucesso do parto. É também durante o pré-natal que os pais devem poder encontrar a ocasião de poder expressar as suas justas angústias, esclarecer dúvidas, serem encorajados quanto à normalidade dos acontecimentos e estabelecer elos de confiança com a equipe encarregada do acompanhamento da gravidez e que poderia estar presente no momento do parto. O espaço de sustentação emocional é tão indispensável quanto o componente científico e tecnológico do pré-natal.
Naturalmente o bebê deve poder se adequar à sua nova situação de ser vivo que utiliza o oxigênio contido no ar através da respiração, e não mais pelo cordão umbilical, para continuar sua missão de sobrevivência. Afinal, nascer é, além de uma condição natural, uma experiência obrigatória e apenas uma etapa dentro do amplo e complexo processo da vida.
O conhecimento das capacidades e fragilidades do feto, ainda no ventre da mãe, é indispensável para poder prestar atendimento adequado ao nascimento. É importante lembrar que o feto é capaz de sugar, deglutir, soluçar (memória gustativa), perceber sons provenientes tanto dos órgãos da mãe tais como os batimentos cardíacos, a fala, os movimentos intestinais e respiratórios, como aqueles externos (memória auditiva), identificar cheiros (memória olfativa), urinar, ter pequenos movimentos respiratórios e amplos movimentos dos membros além de produzir e liberar substâncias que participam do seu amadurecimento e preparam o seu organismo para a autonomia futura.
O momento do parto representa sem dúvida o instante de maior apreensão e expectativa. E é justamente neste momento que as pessoas presentes ao lado da mãe devem transmitir a calma e a segurança necessárias.
Para os mais interessados é fácil perceber que o instante do parto envolve não apenas questões de natureza física mas também emocionais. O bom senso sugere que deve haver neste momento uma conjunção de fatores que culminam com a saída do bebê. Prova de demonstração física evidente, mas também da expressão de que há uma comunhão de interesses entre a mãe e o bebê. O parto seria apenas o momento culminante desta interação. Os fatores envolvidos no desencadeamento do processo ainda não são de todo esclarecidos, mas muito certamente resultam desta comunhão e do conflito de interesses. Daí a importância de se ter noção de delicadeza, tolerância, disponibilidade e conhecimento técnico para quem se dispõe a prestar atendimento à gestante e à sua família no momento do parto.
Se o bom senso não fosse suficiente, há evidências científicas que confirmam que o feto tem condições de suportar, com margem de tolerância, o trabalho de parto e o nascimento, não devendo, portanto ser considerado uma vítima que justifique alguma comiseração. Ao contrário, deve ser visto como um indivíduo capacitado e competente para enfrentar esta situação que como já dissemos é natural e previsível.
As características físicas e bioquímicas do feto dão a ele condições de enfrentar a passagem pelo canal de parto e a relativa fase de redução no aporte de nutrientes e de oxigênio, que resultam no momento do trabalho de parto. Contrariamente ao que se pode supor, o fato de nascer por cesárea não é um fator de alívio para o feto. Durante o desencadear do trabalho de parto algumas etapas são destinadas a liberar substâncias fabricadas tanto pelo organismo materno e a placenta como pelo próprio feto que contribuem para dar a ele condições de se adaptar tanto ao trabalho de parto como à sua vida extra-uterina. Assim, sempre que possível, as cesáreas que tenham indicação médica, devem ser realizadas após o início do trabalho de parto, respeitando pelo menos algumas das etapas a fim de minimizar a transição do nascimento.
Após o nascimento, nada impede a priori que o bebê fique junto à sua mãe, preferencialmente ao seu lado (na altura e junto do seu coração!) e que a  pessoa encarregada do atendimento ao bebê possa monitorar as condições vitais do recém-nascido de maneira eficiente porém discreta. Nada mais evidente que o pai possa participar da recepção do seu filho e do estabelecimento das primeiras relações afetivas com o mundo exterior. Na maioria das vezes não há necessidade de separar o bebê de sua mãe, nem de proceder de maneira intempestiva à ligadura do cordão ou à retirada forçada da placenta. Não há razões para não aguardar calmamente que o cordão pare de bater para então secioná-lo.
Nos hospitais e clínicas, a equipe que dá atenção à mãe e ao recém-nascido deve se comportar de forma discreta e tolerante, dando aos principais atores (mãe-pai-filho-família) a oportunidade de participarem como bem entenderem e não ditando regras formais de funcionamento, rotinas ou sob pretexto da necessidade de respeitar a organização interna. As instituições devem estar à disposição da mãe e de sua família e não o contrário.
Assim como o local que recebe a parturiente deve poder oferecer condições de segurança para prestar atendimento em caso de necessidade à mãe, o material necessário a uma eventual assistência ao recém-nascido também deve estar disponível, em bom estado de funcionamento e verificado pelo pediatra que, corretamente formado e familiarizado com as manobras de ressuscitação, deve ajustar sua intervenção à necessidade da situação.
A intervenção do pediatra deve se restringir a fazer uso adequado da tecnologia, apenas nas situações em que for necessário, baseado no conhecimento e nas evidências científicas, sem tratar a questão de forma normativa impessoal e estereotipada.

Leia outros textos sobre o assunto!


Autor: médico pediatra Dr. Gabriel Ventura.


Procedimentos com o Recém Nascido

"- Nasceu! Ouvi o chorinho, fiquei super emocionada. Levaram para os primeiros cuidados e um tempo depois me trouxeram ela, enrolada em uma espécie de charutinho.” 

É assim o relato da grande maioria das mulheres que tiveram seus filhos em hospitais, no sistema tradicional (e péssimo) de assistência. Seja no parto normal ou na cirurgia cesariana, os bebês nascem, às vezes são mostrados rapidamente para as mães, e são levados para os tais “primeiros cuidados” antes de voltarem, enrolados em panos, para suas mães. E depois dessa rápida apresentação mãe e bebê são novamente separados, eles vão para o berçário ficar em “observação” enquanto a família observa e tira fotos através do vidro.

Essa rotina é encarada pela grande maioria das pessoas como algo “normal”. Muitas nem se dão conta do choque que é para um bebê que acaba de sair de dentro do útero ser separado da sua mãe e passar por milhões de procedimentos. Aliás, a grande maioria das mulheres nem sabe que esses procedimentos existem! (quando a minha filha nasceu, eu não fazia ideia de nada disso). Além disso, a família não é informada de nada do que é feito com o RN e da necessidade dos procedimentos. Como aquilo tudo é feito em todos os nascimentos as pessoas acabam achando que é “necessário”, visto até mesmo como um “cuidado”. Algumas mulheres passam a vida sem ao menos saber que enquanto ela aguardava o bebê ser “limpo e aquecido” ele passava na verdade por vários procedimentos.
Não é raro escutar uma mulher dizer “meu filho ficou o tempo inteiro comigo, não fomos separados!” e aí você pergunta “ué, nasceu e foi para o seu colo? não entregaram ao pediatra? não foi para o berçário?” e a pessoa responde “ah, sim…mas depois desses primeiros cuidados ficamos o tempo todo juntos”.
Afinal, que ” cuidados” são esses? o que é feito com o RN logo após o nascimento? Esses procedimentos são mesmo necessários?
A verdade é que a grande maioria dos recém-nascidos necessita de pouco mais que vias aéreas livres e calor adequado para suportar os primeiros minutos de adaptação à vida extra-uterina. O sucesso da evolução humana e a taxa de sobrevivência excepcionalmente alta dos bebês humanos comprovam isso. Portanto, exceto se houver problemas específicos que exijam alguma atenção imediata, os bebês ao nascer devem ser colocados junto à mãe.
Apesar das evidências demonstrarem a “não-necessidade” dessas intervenções, a maioria dos pediatras segue o protocolo dos hospitais. Protocolos ultrapassados, que realizam intervenções de rotina nos recém-nascidos (assim como nas gestantes) e os tratam todos iguais, independente de necessitarem ou não de cuidados e sem respeitar nem um pouquinho as individualidades do momento único do nascimento e a transição do bebê do ambiente intra-uterino para o extra-uterino.
Por isso, é preciso se informar a respeito de tudo, buscando informações baseadas em evidências científicas atualizadas para poder negociar com o pediatra ANTES DO PARTO, o que ela deseja e o que não deseja de intervenções em seu bebê. É importante marcar uma consulta com o pediatra que irá acompanhar o parto para resolver todas essas questões. Eu, por exemplo, não fazia ideia de que essas intervenções existiam. Quando vi as fotos do meu bebê passando por tanta coisa eu perguntei “porque fizeram isso? Ele estava mal? E o pai (que foi quem acompanhou tudo e tirou fotos) me respondeu “não, o pediatra disse que tinha que fazer isso sempre, é rotina! Para ajudar a respirar, limpar... sei lá! Eu não conheci o pediatra com antecedência, eu não sabia nem o nome dele. Então, fica a minha dica. Conheçam as intervenções, conheçam o pediatra, marquem consulta, perguntem, troque de pediatra caso seja necessário. Isso é um direito. O parto é seu, o bebê é seu!
Então, para começar é preciso conhecer as intervenções, né? Vamos a elas. Vou explicar um pouco sobre cada uma (lembrando: são todas feitas como ROTINA, ou seja, o bebê precisando ou não, ele vai passar por isso) e sobre as indicações reais para o uso de cada uma.
NASCEU…
1. Corte imediato (ou precoce) do cordão umbilical 
Geralmente, o cordão umbilical é cortado no primeiro minuto após o nascimento. Alguns obstetras o cortam imediatamente após o corpo do bebê sair pelo canal do parto, com menos de 10 segundos de vida. 1. Corte imediato (ou precoce) do cordão umbilical é o primeiro procedimento desnecessário e prejudicial pelo qual os bebês passam rotineiramente nos hospitais. Os obstetras que o fazem alegam que o contato com o sangue da mãe pode levar ao desenvolvimento da icterícia (doença que causa um tom amarelado na pele do recém-nascido). Porém, as pesquisas recentes demonstraram que a pausa para efetuar o corte do cordão não eleva nenhum risco de saúde para mãe ou o bebê,ao contrário, trás somente benefícios. A icterícia costuma desaparecer naturalmente e também é comum casos de icterícia mesmo em bebês que nasceram por cesárea (o cordão é cortado imediatamente) e naqueles que tiveram o cordão clampeado no primeiro minuto de vida.
Os estudos compararam o efeito do clampeamento do cordão umbilical precocemente (como é feito de rotina) versus o tardio (somente após o cordão parar de pulsar) em termos de efeito neonatais relacionados, sobretudo, aos estoques de ferro e anemia 4 meses após o nascimento. Os estudos demonstraram que o clampeamento tardio do cordão umbilical resulta em maiores estoques de ferro nas crianças de 4 meses de idade e menor prevalência de anemia neonatal. A carência de ferro pode acarretar, além de fraqueza muscular e batimentos cardíacos acelerados, problemas significativos no desenvolvimento neurológico da criança, podendo causar inclusive danos permanentes. A simples realização da ligadura tardia do cordão no momento do parto (ou na cesariana) pode beneficiar milhares de crianças, inclusive o SEU BEBÊ.
É importante lembrar que todo o sangue do cordão umbilical é do bebê, não circula sangue materno no cordão umbilical. Quando o cordão é cortado precocemente (quando ainda está pulsando, ou seja, ainda está transferindo sangue para o bebê) o bebê é privado de até 40% do SEU PRÓPRIO SANGUE. Se o cordão permanece ali, intacto, ligado ao bebê e a placenta ele vai continuar a transferir todo o sangue do bebê para ele e vai aos poucos parando de pulsar, quando o bebê tiver recebido 100% do seu sangue, o cordão fica “murcho”, para de pulsar, e pode ser cortado sem trazer nenhum dano ao bebê.
Além disso, o bebê capta oxigênio utilizando os pulmões pela primeira vez no momento que nasce e inspira o ar (até então todo o oxigênio vinha através do cordão umbilical). Não cortar o cordão precocemente permite que o bebê continue a receber oxigênio do cordão umbilical, dessa forma ele tem a chance de aprender a respirar aos poucos, sem um corte abrupto.
Bom, mas vamos voltar para a “realidade obstétrica” do nosso país e continuar a falar sobre o que fazem com nossos bebês.
Após ter o cordão cortado imediatamente, o bebê é levado para uma mesa onde todos os outros procedimentos de rotina serão realizados. Algumas equipes mostram “rapidamente” (tipo, 3 segundos) o bebê para a mãe antes disso.

2. Aspiração das vias aéreas

O procedimento de aspiração rotineira para remover secreções das vias orais e nasais do RN tem uma utilidade um tanto duvidosa. Segundo os pediatras que o fazem os possíveis benefícios são a melhora da troca gasosa e redução da possibilidade de aspirar secreções. O que eles não contam é que os potenciais riscos da pratica incluem arritmias cardíacas, laringoespasmo (oclusão da glote devido à contração dos músculos da laringe), e vasoespasmo da artéria pulmonar. A grande maioria dos bebês nasce bem e não precisam ser aspirados. Eles são perfeitamente capazes de limpar suas próprias vias aéreas (tossindo, espirrando). Além disso, os bebês que nascem por parto vaginal, ao passar pelo canal de parto, os pulmões do bebê são massageados, provocando a expulsão natural dos líquidos. A aspiração, tanto a orotraqueal (pela boca) quanto a nasotraqueal (pelo nariz) causam muito desconforto para o bebê, basta que você imagine um cateter (sonda) sendo enfiado no seu nariz e indo até a sua traqueia, “aspirando” tudo que tiver lá e depois sendo puxado para fora novamente. Agora, imagine passar por esse procedimento no seu primeiro minuto de vida, após sair de um ambiente quentinho, escuro, protegido. Sem dúvida não é uma boa maneira de se chegar ao mundo, né?
E se o procedimento for necessário? Nesses casos devem-se utilizar peras de aspiração ao invés de cateteres, dessa forma é menos provável que aconteçam arritmias.

3. Aspiração Gástrica

A prática de aspiração gástrica rotineira foi introduzida após uma sugestão não-testada, de que a angústia respiratória de lactentes de mães diabéticas frequentemente era causada por regurgitação e, sendo assim, a aspiração desse vômito poderia ser evitada por aspiração gástrica. A introdução do tubo no bebê recém-nascido pode causar bradicardia, laringoespasmo e pertubação do comportamento alimentar. Não existe nenhuma justificativa para a realização da aspiração gástrica rotineira. Porém, o procedimento continua a ser realizado todos os dias em diversos hospitais públicos e privados do país. Uma pesquisa baseou-se em prontuários de 277 recém-nascidos que nasceram de gestações de baixo risco e foram considerados vigorosos (ou seja, nasceram muito bem, obrigada!) no ano de 2006 em dois diferentes hospitais do país, constatou-se que a aspiração gástrica foi feita em 94% e 86% dos bebês, respectivamente, enquanto a aspiração de vias aéreas ocorreu em 96% e 91% dos recém-nascidos. Portanto, mães e pais, não fiquem aí pensando que é “exagero, não devem fazer isso em todos!!”

4. Credé – Aplicação do Colírio de Nitrato de Prata

Esse procedimento consiste em pingar uma gota de colírio de nitrato de prata em cada olho do recém-nascido de forma rotineira. Esse procedimento foi introduzido em 1881, para o controle da oftalmia gonocócica do recém-nascido (uma espécie de conjuntivite bastante grave, que é contraída no momento do nascimento, a partir do contato com secreções genitais maternas contaminadas com a bactéria), que era comum naquela época. O procedimento então passou a ser utilizado em todos os hospitais e continua sendo assim até hoje. A questão é que, bebês que nascem por cesariana, por exemplo, não passaram pelo canal vaginal, portanto, não tem chances de adquirir a doença. Alguém, por favor, me explica, POR QUE ELES TAMBÉM RECEBEM O COLÍRIO ROTINEIRAMENTE? (minha filha recebeu e nasceu por cirurgia cesariana!) E tem mais, o colírio de nitrato de prata resulta em um alto índice de conjuntivite química e é ineficaz contra a Chlamydia (que em muitas regiões é a causa mais comum de oftalmia neonatal atualmente). Além disso, medicamentos tópicos aplicados aos olhos dos recém-nascidos podem reduzir a abertura ocular e inibir respostas visuais. Isso pode atrapalhar a interação visual entre a mãe e o bebê durante a primeira hora de vida. Infelizmente, o colírio de nitrato de prata (Credé) é recomendado (ainda) pelo Ministério da Saúde, e alguns estados têm legislação específica para o seu uso, mas ninguém pode ser OBRIGADO a deixar seu RN ser submetido a esse método ultrapassado que não previne a oftalmia por clamídia e ainda promove conjuntivite química. É absurdo. O que se pode fazer é solicitar ao obstetra (no caso de não ser um obstetra humanizado) que faça a cultura andovaginal para gonorreia durante o pré-natal. Com o resultado negativo em mãos, é possível argumentar com o pediatra durante a consulta pré-natal e exigir que seu bebê NÃO receba o colírio. Se o uso for necessário, o colírio de nitrato de prata pode ser substituído pela eritromicina, que previne tanto a oftalmia gonocócica quanto a por clamídia, ou seja, é mais eficaz. Além disso, mesmo que seja necessário o uso do colírio ele pode ser aplicado 1h após o nascimento do bebê. A primeira hora de vida do bebê não deve ser perturbada, mãe e bebê devem ser deixados em paz.

5. Vitamina K 

A administração de vitamina K nos recém-nascidos é uma forma de profilaxia contra a doença hemorrágica do recém nascido. Na década de 50 (antes da vitamina K começar a ser utilizada de forma profilática) aproximadamente 4 a cada 1.000 nascidos apresentavam a doença. Até o presente momento, preconiza-se a administração de vitamina K em todas as crianças, pois as consequencias desta hemorragia podem ser graves, justificando uma ação preventiva eficaz. A administração de Vitamina K é realizada nos hospitais através de uma injeção intramuscular na coxa do RN. Apesar de eficaz, esse procedimento é invasivo e muito doloroso. Podem-se obter índices semelhantes de proteção contra a doença administrando a vitamina K via oral, em doses repetidas (no dia do nascimento, e após 1 ou 2 semanas de vida). Deve ser ressaltado que os recém-nascidos com maior risco para doença hemorrágica, a saber, prematuros com baixo peso ao nascimento, com complicações perinatais, filhos de mães que usaram anti-convulsionantes, anticoagulantes e tuberculostáticos na gestação, devem receber a profilaxia na forma intramuscular. Ou seja, lactentes de alto risco devem receber a vitamina K via  intramuscular. E lactentes de baixo risco (bebês a termo, saudáveis, sem nenhuma complicação) podem receber a vitamina K via oral. O uso dessa forma de profilaxia exige que os pais se responsabilizem pela conclusão do tratamento, administrando as outras doses via oral em casa, no tempo estabelecido. Leia, pergunte, pesquise e converse com o pediatra. Sim, você tem opção!

6. Separação Mãe-Bebê. Tempo de “observação” no berçário (incubadora). 

Na maioria dos hospitais em nosso país, os bebês depois de passarem por todos os procedimentos de rotina já listados acima, são apresentados a mãe (é nessa hora que geralmente os pais tiram as fotos em família) e já vão para o berçário, onde são pesados, medidos, muitas vezes já dão até banho e depois ficam em “observação” (mesmo nascendo perfeitamente saudáveis) por X horas estipuladas no protocolo de cada hospital (já vi hospitais que deixam 2 horas, 3 horas, até 12 horas!). O bebê é deixado em berço aquecido ou incubadora, sozinho, em um “mundo estranho”... apenas por rotina! A minha filha ficou 3 horas no berçário, enquanto isso, eu pedia para que meus parentes fossem até o berçário e tirassem fotos dela através do vidro, e trouxessem para eu ver, para eu saber como era, como estava, onde estava. E o pior dessa separação, é que muitos hospitais introduzem as fórmulas enquanto os bebês estão no berçário, prejudicando o aleitamento materno e a saúde do bebê (foi o caso da minha filha, tomou NAN ainda no hospital). O Ministério da Saúde e a Organização Mundial da Saúde enfatizam cada vez mais a importância do contato pele a pele assim que o bebê nasce, e a amamentação imediata, além do alojamento conjunto durante todo o tempo. Não há nenhuma necessidade em levar o bebê para o berçário e deixá-lo horas lá.
Bom, é isso. Essas são as intervenções de rotina praticadas em todas as maternidades do país. Existem ainda algumas outras como “banho de luz”, exame de sangue... que alguns hospitais fazem rotineiramente, mas não são todos.
E depois de aproximadamente 4h, você, finalmente, recebe o bebê limpinho, cheiroso, de fraldinha e roupinha, dormindo em um bercinho, que é colocado ao lado da sua cama, no quarto do hospital.
É assim que você quer que seu bebê seja recebido? É assim que você quer que ele conheça o mundo, depois de tanto tempo de gestação, de proteção dentro do útero? De sonhos e desejos para oferecer sempre o melhor a ele/ela?
Informem-se mulheres, mães, pais! Corram atrás, o bebê é de vocês, é direito de vocês saber tudo que será feito, porque será feito, e recusar qualquer procedimento que você não concorda! Eu fico muito triste em saber que a minha filha passou por todas essas intervenções desnecessariamente.

Eu não tinha conhecimento, eu não tinha essas informações. Eu nem ao menos sabia que ela tinha passado por tudo isso enquanto esperava para conhecê-la! O que me disseram foi “levaram para limpar e todas as outras coisas e já lhe trazem”. Eu só vi os absurdos quando peguei a máquina fotográfica, horas após o nascimento e vi as imagens. Mesmo assim eu não sabia o que era aquilo tudo e porque tinha sido feito. Hoje eu sei. Agora tenho informação. E eu não permitirei de forma alguma que isso aconteça ao meu próximo filho.
Passo a informação a diante, para que você também não permita!


7. Banho nos primeiros minutos de vida 

Segundo o Departamento de Neonatologia da SBP, o primeiro banho do recém-nascido, no hospital, deve ser retardado até haver estabilidade dos sinais vitais. Não é preciso dar banho imediatamente após o nascimento e o vérnix caseoso (a camada de gordura que recobre a pele do recém-nascido) não deve ser removido. Recomenda-se que a remoção do vérnix que não foi reabsorvido pelo organismo seja feita somente 24 horas após o nascimento.



Porque os bebês nascem com uma proteção natural – O VÉRNIX!!
Vérnix é um material gorduroso branco encontrado sobre a pele do bebê logo após o nascimento, que se forma pelo acúmulo de secreção das glândulas sebáceas e inclui células epiteliais e lanugem, atua como um creme evanescente que penetra nos poros ou é eliminado pelo contacto com as roupas.
Quando damos banho a um bebé-recém nascido estamos a tirar-lhe o MELHOR CREME do mundo, o vérnix que:

1. Atua como uma barreira contra a perda de água - Devido ao seu alto teor de água, o vérnix, atua como um agente de hidratação. A comparação com vários produtos para cuidados da pele mostrou que o vérnix tem uma maior capacidade de retenção de água, tem propriedades hidratantes e aumenta a plasticidade da pele do bebé. É o melhor creme para as necessidades da pele do recém-nascido!

2. É uma defesa natural contra possíveis infecções - Um estudo bioquímico observou que o vérnix atuar como uma barreira mecânica contra infecções bacterianas, e inibe o crescimento de bactérias, protegendo a pele do bebé.

3. Ajuda na Formação do manto ácido - No nascimento, o pH da superfície da pele é praticamente neutro (6,5). Aos poucos vai-se tornando mais ácidos. O pH da pele atinge 5,5, um nível ligeiramente ácido necessária para a defesa da pele, inibindo assim o crescimento de bactérias patogênicas. A acidificação também mantém a integridade da barreira epidérmica.
O desenvolvimento do manto ácido leva 2-8 semanas, dependendo da idade gestacional do bebê, mas pode demorar mais em áreas que estão sempre cobertas, como a zona da fralda. Sabemos que deixar o vérnix na pele dos recém-nascido ajuda à formação do manto ácido.
As diretrizes da Organização Mundial da Saúde para os cuidados com o recém nascido, vão no sentido de que o vérnix não deve ser removido da pele e o banho deve ser adiada por, pelo menos, seis horas após o nascimento.

4. Contém melanina – que protege contra a radiação ultravioleta da luz solar.

5. Possui propriedades de cura – Foi observado que o vérnix contribui para a regeneração da pele. As suas propriedades de cura estão a ser estudadas para o tratamento de pacientes adultos com úlceras nos membros inferiores ou em feridas perineais após o parto. Também tem sido usado em pele com dermatite atópica, contra infecções bacterianas e no tratamento de pacientes com queimaduras.
Portanto, o vérnix não é apenas importante para o recém-nascido, mas é um biomaterial natural de interesse para a ciência cosmética e outras disciplinas. A indústria cosmética e farmacêutica tem procurado criar preparações sintéticas que tentam reproduzir as propriedades deste “creme milagroso”. Os nossos filhos têm a sorte de ter nascido com este creme … Será que faz sentido privá-los do melhor produto para sua pele … que, é gratuito?

Leia mais!

Atendimento ao Recém Nascido


Assista ao vídeo

Autor: Luciana Fernandes *Fonte: Parir e Nascer  

Autor: Catarina Pardal *Fonte: Gestante Vita



Referências:


1.Berger, H., Clinical examination of the newborn infant
2. Tyson, J., Silverman, W. and Reisch, J., Immediate care of the newborn infant.
3. von Kries, R. (1998) Neonatal vitamin K prophylaxis: the Gordian knot still awais untying, BMJ, 316, 161-2.
4. von Kries, R. (1993). Neonatal vitamin K prophylaxis. Report on Scientific and Standardization Subcommittee on Perinatal Haemostasis. Thromb. Haemostas., 69, 293-5.
5. Puckett, R.M and Offringa, M., Vitamin K for preventing haomorrhagic disease in newborn infants [protocol].
6. Anderson G, Moore E, Hepworth J, Bergman. N. Early skin-to-skin contact for mothers and their
healthy newborn infants.
Cochrane Database Syst Rev 2003;(2):CD003519.
7. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Pré-natal e puerpério: atenção qualificada e humanizada. Manual técnico. Série A: Normas e manuais técnicos. Série Direitos sexuais e reprodutivos – Cad. 5. Brasília; 2005.
8. Monteiro CA, Szarfarc SC, Mondini L. Tendência secular da anemia na infância na cidade de São Paulo (1984-1996).
Rev Saude Publica. 2000;34:62-72.
9. Osório MM, Lira PI, Ashworth A. Factors associated with Hb concentration in children aged 6-59 months in the State of Pernambuco, Brazil. Br J Nutr. 2004; 91:307-14.
10. van Rheenen P, Brabin BJ. Late umbilical cordclamping as an intervention for reducing iron deficiency anaemia in term infants in developing and industrialised countries: A systematic review.
Ann Trop Paediatr 2004;24:3–16.