Trabalho de Parto - A Dequitação da Placenta


O bebê nasceu! úmido, pulsante, ele é colocado em cima de ventre de sua mãe e a família finalmente se conhece. Porém, o trabalho de parto ainda não terminou e ambos, mãe e filho, ainda têm muito o que fazer!

A primeira tarefa do bebê é respirar, o que ele vai aprendendo aos poucos, durante os últimos minutos em que a placenta o alimenta através do cordão umbilical. O bebê nem sempre chora na hora em que nasce, às vezes só faz uns barulhinhos e dá um ou dois gritos maiores, depois se acalma.


Se o ambiente for tranquilo, com luz baixa e calor ambiente, ele se sentirá confortável, abrirá os olhos e olhará com muita atenção para tudo que estiver próximo dele (ele enxerga a uns 40 cm de distância, mais ou menos). Ele olhará o rosto de sua mãe e de seu pai, e ficará em estado de alerta tranquilo, observando e absorvendo tudo a sua volta.


Em seguida, começará a se arrastar para o seio da mãe e o abocanhará, como mostra o vídeo acima. A felicidade da mãe chegará ao extremo graças a isso, e ela produzirá uma segunda grande onda de ocitocina endógena. Como já mencionado, a ocitocina produz contrações do útero, e isso fará com que nasça a "companheira do bebê": a placenta.


Durante nove meses, o bebê esteve dentro do útero, tendo como únicos companheiros e objetos de interação a placenta e o cordão umbilical. Parteiras tradicionais dizem que a mulher que ainda não dequitou "não está prenha nem parida" e é importante que a placenta saia todinha, completa, pois se ficar algum pedacinho lá dentro, pode causar uma infecção ou até a morte.

As contrações do útero, intensificadas pela ocitocina criada com a sucção do peito pelo bebê, permitem que a placenta seja expulsa, sem precisar ser puxada.

Uma vez saída a placenta, o parto acabou e a parturiente passa a ser uma puérpera. É nesse momento, geralmente, que se faz a avaliação para ver se ocorreu laceração, e, se necessário, fazem-se alguns pontinhos. 

Trabalho de Parto - O Período Expulsivo

O expulsivo é o período do parto em que o bebê efetivamente nasce. Para completar essa fase ele precisa realizar várias manobras, pois o canal de parto é estreito e cheio de obstáculos. 

Enquanto faz este percurso, o corpo do bebê é apertado no canal de parto, ele é todo "espremido", como uma esponja, e se esvazia de tudo que estava dentro de seus pulmões e estômago. 



É importante lembrar que os órgãos reprodutivos da mulher têm uma capacidade elástica muito grande. O útero vazio não mede mais de 8 cm de diâmetro, e se expande para sustentar um bebê, sua placenta e líquido amniótico, que às vezes passam dos cinco quilos. A vagina da mulher também faz coisas incríveis. É um espaço virtualmente inexistente, ou seja que só existe quando preenchido. Quando não tem nada dentro, as paredes da vagina se tocam. Quando inserido um dedo, ela tem o tamanho de um dedo, e ela se adapta exatamente à forma e ao tamanho do que a preenche, inclusive um bebê!

Além disso, o corpo da mulher produz um hormônio chamado relaxina, que "amolece" seus ligamentos e permite que até certos ossos fiquem flexíveis! Assim, a pelve da mulher também dilata para permitir a passagem do bebê. E a cabeça do bebê também se modifica para passar pelo canal de parto: ela estica. É para isso que ela tem aquelas partes moles, as fontanelas. 







Resumindo: mãe e bebê vão adaptar seus corpos para o nascimento, e ambos são feitos de forma que seus corpos voltem ao normal depois.



Ouvimos muito falar em lacerações e cortes necessários para passar o bebê. Efetivamente, às vezes eles ocorrem. Na maioria dos relatos que li, eu percebi uma relação entre o fazer força na hora do expulsivo, e a posição do parto, e a presença de lacerações. A mulher só deve fazer força quando sentir vontade, na posição e do jeito que sentir vontade. E, se não fizer força e apenas relaxar, o parto ocorrerá mesmo assim, pois o corpo trabalha quase que independentemente da vontade da mulher nesse ponto do Trabalho de Parto. É importante não inibir a mulher que sente vontade de fazer força: nessa hora, quem manda é o instinto.

A saída do bebê é marcada por sensações novas, que a mulher nunca experienciou na vida até então. Algumas mulheres comparam certos aspectos do nascimento à aspectos da vida sexual, e algumas chegam a sentir muito prazer nesse momento. Na maioria dos relatos, as mulheres dizem que a dor das contrações passa para um segundo plano, outras dizem que cessa, e que as sensações são completamente diferentes.

A descida da cabeça do bebê termina com a coroação, quando o topo da cabeça aparece do lado de fora. Esta parte do canal de parto é a que tem os músculos mais fortes, e às vezes a mulher tende a contrair esses músculos por causa da dor que está sentindo. Isso dificulta a passagem do bebê, aumenta a dor e as chances de lacerações. A mulher deve tentar relaxar ao máximo a vagina durante a passagem do bebê. Uma boa técnica é falar AAAAAAAAAAAAAAAAA!, pois, ao relaxar a garganta, a mulher relaxa também a vagina.

A coroação do bebê também é chamada de círculo de fogo, pois a sensação é de ardor, como quando tentamos fazer sexo sem a devida lubrificação. Algumas mulheres sofrem mais do que outras nesse momento. Após a passagem da testa do bebê, porém, o diâmetro da cabeça vai diminuindo e o círculo de fogo vai passando.

Na maioria dos partos, o bebê para com a cabeça para fora e o corpo ainda 
dentro da mãe. Ele sairá na contração seguinte, que pode demorar alguns minutos. Os ombros saem um de cada vez e, depois que passam, o corpo sai de uma vez, como um sabonete molhado! Pluft! E a dor cessa. Completamente.

Em seguida, se a família estiver em um hospital humanizado, ou em casa, o bebê será colocado diretamente encima da barriga da mãe, e um fenômeno interessante ocorrerá.





A ocitocina endógena, que estava sendo produzida em grandes quantidades para aliviar a dor, agora está sendo produzida sem que haja dor, e acontece o que se chama de pico de ocitocina. Esse pico de ocitocina produz uma sensação de imenso amor e prazer, a sensação de se apaixonar, que, juntamente com o alívio pela dor ter acabado e da alegria pela chegada do bebê, criam o que Michel Odent, obstetra francês, chama de momento ideal para o estabelecimento do vículo mãe-bebê. Ainda ligados pelo cordão umbilical, pulsando juntos em uma euforia física e mental, eles se olham e se conhecem, o bebê recebe seu nome e seu lugar, a mulher vira mãe e o homem, pai. Mais nada será como antes...
Agora é esperar a Dequitação da Placenta.

Trabalho de Parto - Fase de Transição

A fase de transição é um momento muito interessante do parto. Ela dura relativamente pouco tempo, quando comparada com as fases que a precederam: começa quando a mulher tem lá pelos 7 ou 8 centímetros de dilatação e termina quando atinge a dilatação completa, que é de 10 centímetros "oficialmente". (eu digo oficialmente, porque essa é uma média, algumas mulheres dilatam mais do que isso. Mas é o tamanho mínimo que os médicos exigem para a expulsão do bebê.) Essa fase é marcada por um fenômeno muito interessante, que já começa no final do TP ativo. Por causa dos níveis de ocitocina, que vão subindo junto com a intensidade das contrações, e nessa hora já estão bem elevados, a mulher começa a entrar em um estado de transe, similar ao que acontece durante a excitação sexual. Esse estado é chamado de partolândia. Parece que ela se vira para dentro de si mesma, olha para sua alma. As pessoas falam com ela e ela nem responde, ou diz coisas incoerentes. Muito do que fala tem a ver com o que está sentindo. Ela geme e se mexe, respira profundamente, e depois de maneira acelerada, busca a melhor posição, que logo já não é mais confortável e começa tudo de novo. Nesta fase, a parte consciente e racional da mulher já não está mais presente, e o que resta é a Fêmea em seu sentido mais essencial e irracional. Esse estado "animal" é essencial para que a mulher coloque seu filho no mundo, pois é de sua essência animal que ela vai tirar a força necessária para fazê-lo. A parte consciente da mulher ressurge apenas em poucos instantes, onde ela duvida de si mesma, diz que não vai conseguir, pede anestesia, pede cesariana. Esse é um sinal: é chamado de "hora da covardia" e indica que o trabalho de parto está chegando ao fim. Nessa hora, é necessário reforçar a crença da mulher em sua capacidade de parir, e confiar nela. Quando isso acontece, ela deixa de lado todo o medo que acompanha a consciência, e se entrega. Seu corpo trabalha sozinho, seu instinto domina: ela sabe o que está fazendo, e se não sabe, seu corpo sabe.


Nessa hora, a cabeça do bebê, em sua descida lenta, começa a fazer pressão na área próxima do intestino grosso e do ânus, e a mulher começa a sentir uma vontade incontrolável de fazer força. Alguns relatos comparam essa sensação com vontade de ir aos pés. Não adianta ficar de "frescurinha" nessa hora, a palavra é essa. Efetivamente, em alguns casos, a mulher faz um pouco de cocô, sim, mas uma equipe bem treinada nem fará menção do ocorrido, para não deixar a mulher com vergonha, pois nessa hora, qualquer coisa que impedir a entrega total da mulher às necessidades da partolândia pode atrapalhar o andamento do parto.

Ao atingir 10 centímetros de dilatação, se inicia a fase do expulsivo.



Texto adaptado Por Doula Liz

Original de Adele doula




O Trabalho de Parto - Fase Ativa

O trabalho de parto ativo é marcado pela presença de contrações regulares, de 5 em 5 minutos em média, que vão ficando cada vez mais próximas e intensas. 


Nessa hora, o papel dos hormônios é essencial. A mulher em trabalho de parto libera um coquetel de hormônios, cujo ingrediente principal é a ocitocina endógena (produzida pela própria mulher, na hora do orgasmo e do parto) que, além de produzir contrações uterinas, é um anestésico natural: ela traz uma sensação de bem-estar e prazer. Conforme as contrações vão ficando mais fortes, o corpo vai produzindo mais ocitocina, na medida certinha para aniquilar a dor, completamente. Por isso, assim que a contração para, a dor também para, e a mulher que consegue relaxar entre as contrações e se sente muito bem. A ocitocina endógena ajuda a aumentar as contrações E a aliviar a dor ao mesmo tempo. Muito perfeito, não?


Esses hormônios tem ação não só no corpo da mãe, mas também do seu bebê, que divide todos os benefícios dos hormônios com ela. E entende que é hora de se preparar para o nascimento. 

Até a hora do parto, o bebê esteve dentro do líquido amniótico, treinando os movimentos de engolir e respirar lá dentro. Ele com certeza tem líquido amniótico dentro do estômago e dos pulmões. Mas ele também está PRODUZINDO líquido nos pulmões, que servem para impedir que os alvéolos se esvaziem completamente e grudem. Na hora em que o TP ativo começa, o bebê recebe uma mensagem química: ele pára de produzir líquido nos pulmões e passa a reabsorver o líquido que já tem lá. É nesse momento que o amadurecimento dos pulmões acontece. E é por isso que se insiste tanto em deixar o Trabalho de Parto começar naturalmente, porque, realmente, para o bebê, faz uma diferença enorme!


Nessa fase, as contrações vão ficando mais fortes e ritmadas. Essa fase pode variar muito em tempo, e reza a lenda que é mais longa na primeira gestação da mulher, mesmo que isso varie muito de mulher para mulher e de parto para parto. 


É nessa fase que a mulher passa a sentir mais dor, e é nessa fase também que o papel da doula é mais apreciado, pois ela ajuda a aliviar essa dor sem precisar recorrer à anestesia. A doula dá apoio, faz massagens, compressas, usa técnicas de respiração, vocalização e visualização; Indica posições que aliviam a dor e que de quebra ainda aceleram o TP, e ainda ajuda a manter o papai tranquilo. Porque, geralmente, nesse momento, muitos papais entram em pânico por ver sua parceira sentindo dor, gemendo, poder aliviar a dor dela sem saber o que fazer! Por isso a doula está lá, para indicar aos papais outras maneiras de ajudar, de participarem do nascimento do seu filho, afinal, a experiência do parto é muito interessante e poder vivê-la em plenitude é enriquecedora para todos: bebê, mãe e pai!

A fase do TP ativo termina quando a mulher está com mais ou menos 7 para 8 centímetros de dilatação. Não é dedo! São centímetros! 9 dedos é mais do que 15 centímetros! Cuidado!) Em seguida se inicia a fase de transição.


Texto adaptado Por Doula Liz
Original de Adele doula

Trabalho de Parto - Fase Latente

Quando a gestante começa a sentir contrações ritmadas, de 20 em 20 minutos, de 15 em 15... Pode considerar que entrou realmente em trabalho de parto. 

As contrações são responsáveis por empurrar a cabeça do bebê sobre o colo do útero, produzindo a dilatação, e também por enviar um sinal para o bebê de que é hora de se preparar para nascer, e ajudá-lo a se posicionar para sair.


Uma coisa relatada por muitas mulheres nesse momento é um pico de energia, causado pela ação da Adrenalina. Um dos hormônios que estará presente durante todo o trabalho de parto. Algumas sentem uma vontade louca de se movimentar (andar, correr, pular) outras sentem vontade de "arrumar o ninho", ligam o "modo faxina" e limpam tudo, organizam a casa, as roupinhas do bebê, a bagagem da maternidade... É interessante observar que, nessa hora, geralmente é recomendado que a gestante tente descansar, dormir um pouco, para guardar forças para os momentos mais cansativos do parto, sendo que, na maioria dos casos, é o que ela MENOS consegue fazer.



A fase latente é um momento muito interessante, pois é muito cedo para ir para a maternidade, as dores são suportáveis, e o casal está em casa, sabendo da chegada iminente do bebê. Muita coisa acontece neste momento. É um momento em que muitos casais aproveitam para se reconectar, se abraçam, se emocionam. As interações amorosas, carinhos, chamegos, beijos apaixonados, e até mesmo uma relação sexual (se a bolsa amniótica ainda não tiver rompido), são muito bem-vindas, pois estimulam a liberação de ocitocina, o hormônio do prazer, que é tão importante durante o TP.


Para algumas mulheres que não resolveram bem seus conflitos emocionais durante a gestação, este pode ser um momento difícil, onde o medo e a angústia aumentam, ou onde ela fica tão sensível que chora por tudo. É bom que isso aconteça agora, quando o trabalho de parto ainda não está intenso, e é importante deixar que ela "bote para fora", chore tudo que tiver de chorar, diga tudo que quiser dizer. Assim, na hora do parto, ela poderá se concentrar, sem estar presa à esses outros assuntos, que, por incrível que pareça, são capazes de travar completamente o parto, quando não resolvidos.


Quando a gestante passa a sentir contrações mais próximas umas das outras, de 6 em 6 ou 5 em 5 minutos de intervalo (mais ou menos 5cm de dilatação), ela entra na chamada fase ativa do trabalho de parto. 

Texto adaptado Por Doula Liz
Original de Adele doula

Contrações verdadeiras ou falsas – como distinguir?


O que são as tais contrações falsas, de treinamento ou de Braxton-Hicks? 

Lá pela metade de sua gravidez, às vezes até antes, você pode notar que os músculos do seu útero deixam sua barriga dura, o que dura de 20 a 30 segundos. Nem todas as mulheres sentem essas contrações, que surgem aleatoriamente e costumam ser indolores.

Elas recebem o nome de contrações de treinamento, contrações "falsas" ou contrações de Braxton-Hicks, em homenagem ao médico inglês John Braxton Hicks, que as descreveu pela primeira vez em 1872.

Os especialistas acreditam que elas sejam uma espécie de treino do corpo para o trabalho de parto. Alguns acham que elas colaboram para o processo de "apagamento" do colo do útero (que vai ficando mais fino) e para a dilatação.

As contrações de treinamento costumam ser sentidas a partir de 16 semanas, ou bem mais tarde. Mas também é normal não sentir essas contrações nenhuma vez.

À medida que sua gravidez avança, mesmo a contração de treinamento pode ficar mais intensa e é possível que doa. Quando elas começarem a ficar mais fortes e frequentes, você pode até achar que o trabalho de parto começou para valer, mas o tempo passa e elas não pegam ritmo, não intensificam, continuam irregulares: frequência e duração – e podem até desaparecer completamente.

São os chamados alarmes falsos. Se você sentir que suas contrações estão diminuindo ou se espaçando, provavelmente elas não passaram de contrações de Braxton-Hicks.

Como vou saber a diferença entre as contrações de treinamento e as contrações de verdade? 

A maioria das grávidas de primeira viagem faz essa pergunta, e a resposta mais adequada, a que recebem dos médicos e de quem já passou por isso: "Você vai saber quando for trabalho de parto de verdade". Não há nada mais raso e abstrato que essa resposta. Então vamos tentar aprofundar mais o assunto e explicar o que você pode sentir. Veja as diferenças:

Contrações de treinamento - Pródomos ou Falso alarme

•  Acontecem só algumas vezes por dia;
•  Normalmente param quando você muda de atividade. Se você passou muito tempo sentada, levante-se e caminhe. Se ficou muito tempo de pé, sente-se ou deite-se;
•  São irregulares, não pegam ritmo. Ou, se pegam, é só por um período curto;
•  Não são muito longas: duram apenas alguns segundos;
•  Não vão aumentando de intensidade;
•  Podem atingir só uma parte da barriga;
•  Podem ocorrer logo após você se movimentar ou pela posição do bebê.


Contrações do trabalho de parto - As contrações verdadeiras são:

•  Mais longas: a barriga fica dura por mais tempo, acima de 40 segundos;
•  Não diminuem o tempo, nem o ritmo. Vão se aproximando cada vez mais uma da outra;
•  São regulares e vão se tornando cada mais doloridas;
•  Vão se intensificando e o intervalo entre elas vai diminuindo;
•  Não melhoram se você mudar de atividade;
•  Atingem a barriga inteira, muitas às vezes as costas e irradiam para as pernas;
•  Não dependem da posição ou da movimentação do bebê

Essa situação é normal começar em períodos mais avançados da gravidez.

Uma sugestão é usar as contrações de treinamento para praticar técnicas de respiração que vão ajudá-la no parto vaginal.

Observe também se a contração for acompanhada de umidade ou secreção vaginal.

O ritmo é o mais importante, preste atenção nele. Sempre que perceber que está tendo várias contrações, marque o horário, para acompanhar o intervalo entre elas. Quando permanecerem por mais de uma hora, entre em contato com sua Doula.


Por Simone Nascimento, enfermeira obstetra
Adaptado por Doula Liz

Trabalho de Parto - Os Pródromos

Os pródromos são o início do trabalho de parto. Sua característica é a presença de contrações irregulares, podendo ser doloridas ou indolores. Um desconforto que vai e vem, para, depois vem mais forte, depois para de novo por um tempo. Os pródromos podem durar bastante tempo, até dias. Em alguns relatos as mulheres sentem contrações todos os dias em um determinado horário, depois elas cessam, e isso durante até algumas semanas, até progredir para um trabalho de parto. 

A saída do tampão mucoso, que as mulheres tanto ouvem falar, também pode acontecer nessa fase, e é um dos sinais visíveis de que o Trabalho de Parto se aproxima. O tampão é geralmente descrito como tendo a textura de clara de ovo ou secreção nasal. Um muco que pode sair com rastros de sangue. Algumas mulheres percebem apenas umas manchinhas avermelhadas na calcinha, outras estão até hoje esperando para vê-lo. Tendo notado apenas o aumento da umidade vagina.

Mas normalmente o tampão tem o aspecto a baixo:


Quando as contrações passam a ser mais ritmadas, de 20 em 20 minutos, de 15 em 15, etc... a gestante entra na chamada fase latente do trabalho de parto.

Texto adaptado Por Doula Liz
Original de Adele doula

Frases de encorajamento para o parto


Eu sei parir!

Eu dou à luz prazeirosamente, facilmente e sem complicações.

Eu estou segura.

Eu confio no meu corpo. 

O meu corpo sabe exatamente o que fazer

Durante o trabalho de parto e o nascimento, eu fico completamente relaxada e confortável.

Eu mereço um parto fácil e sem complicações.

Eu tenho um parto sem dor, calmo, emocionante e prazeroso.

Meu bebê é saudável e está ótimo

Eu estou cooperando completamente com meu corpo.

Meu útero se relaxa, se abre e está macio.

Sinto confiança, força, coragem, paciência, amor.

Tenho tudo o que preciso para receber com alegria meu bebê.

Meu corpo foi feito para dar à luz.

O nascimento do meu bebê será um momento de muita luz, amor e prazer a todos os evolvidos.

Meu corpo está completamente relaxado.

Minha cabeça está totalmente entregue a esse momento e livre de preocupações.

Meu bebê é carregado com prazer puro.

Relaxo.

Tudo está indo bem.

Libero todos os músculos abdominais.

Relaxo minha mente e músculos.

Coragem, fé e paciência.

Eu decido sobre meu parto.

Meu corpo é inteligente e lidará com todas as situações eficientemente.

Mantenho respiração lenta e profunda. Inalo a paz, exalo a tensão.

Mantenho minha mente na aceitação e entrega.

Eu não mostro absolutamente nenhum sinal de medo nem preocupação.

Minha única responsabilidade é controlar minha mente. Meu corpo vai parir meu bebê de forma segura e eficaz.

Meu corpo tem espaço e lubrificação para que meu filho possa percorrer o até seu nascimento de forma tranquila.

Meu líquido é claro e limpo como água cristalina.

Meu corpo dará à luz em seu tempo.

O meu bebê vai nascer no seu tempo, rodeado de amor e respeito.

Eu tenho um parto feliz.

Eu entro em um estado alterado de consciência que permite a liberação segura e fácil de meu bebê.

O nascimento é uma ocorrência natural para que meu corpo foi projetado perfeitamente.

Eu tenho o poder de lidar com o que quer que aconteça.

A serenidade total é minha base.

Eu acredito em mim.

Eu dou à luz em segurança e privacidade.

Eu sei que posso!

A mente é tudo. Nós nos transformamos no que acreditamos.

Eu sigo meus instintos e dou à luz do jeito que eu desejo.

Eu estou pronta e preparada para isto.

Meu trabalho é simplesmente relaxar e permitir que o parto aconteça.

Eu me vejo lidando com tudo lindamente

Eu mereço esse parto!

Eu me ligo ao poder, força e a grande energia das 300.000 mulheres que estão parindo ao mesmo tempo que eu em todo o mundo.

Eu estou pronta, preparada e eu me entrego completamente ao processo para o qual meu corpo foi tão bem projetado.


Texto Adaptado por Doula Liz

Fonte: Mães no Reino

Eu sei parir!



"Eu sei parir.
Assim como pariram as mulheres que me antecederam.
Minha mãe, minha avó, minha bisavó, minha tataravó…
Até a primeira mulher.
Levo guardado em minhas células.
É o legado do meu corpo.
Ele sabe parir.
Como sabe respirar, digerir, gestar, andar, falar, pensar.
Está perfeitamente desenhado para isso:
Minha pélvis, meu útero, minha vagina, são obras da engenharia
A serviço da força da vida.
Eu sou ‘a que sabe’.
E ‘a que sabe’ sussurra para mim:
‘Cavalgue na energia das contrações, como se fosse um êxtase,
Loba, leoa, hiena, égua, raposa, gata, pantera…
Encontre a sua fêmea de poder e converta-se nela’.
E sendo ela, mamífera toda poderosa, dou à luz."


Por Mónica Manso - Maternidad Conciente
Tradução: Maira Paladino
Arte: Alex Grey


O AMOR À PRIMEIRA VISTA, ou imprinting

O AMOR À PRIMEIRA VISTA, ou imprinting, é um fenômeno instintivo e natural que ocorre nos animais, logo após o nascimento. Os filhotes reconhecem suas mães e criam vínculos graças ao poder dos hormônios e outras substâncias naturais produzidas e liberadas pelo organismo materno durante o trabalho de parto.
Para isto, é necessário permitir-se parir! Sem interferências, sem substâncias sintéticas, num ambiente acolhedor e relaxante. Só assim a fisiologia do parto acontecerá naturalmente. Só assim o cérebro da mãe produzirá e liberará os hormônios do parto que ativam o instinto materno e aliviam as dores.


Segue texto baseado no artigo Ecstatic Birth - Nature’s Hormonal Blueprint for Labor de Sarah Buckley:

O PERFEITO E DELICADO SISTEMA HORMONAL DO PARTO
Como o corpo produz tudo o que é necessário para que o parto seja um evento seguro, e qual a conseqüência das interferências nesse processo?
É bem sabido que a vida na terra é composta de uma rede que interconecta todos os seres, onde um depende do outro para que o todo subsista. A própria natureza cria sistemas de auto-regulação que favorecem a vida. É como se fosse do próprio “interesse” do todo manter a reprodução dos seres vivos.
Assim, é inato a cada fêmea do reino animal - como a cada mulher - um sistema reprodutivo perfeitamente organizado para a manutenção da espécie e para que gerar, gestar, e parir sejam experiências seguras para a mulher. Num parto sem perturbações, o próprio organismo humano se ocupa de produzir analgésicos (beta-endorfinas) que aliviam as dores do parto, ou de atingir um pico de ocitocina que previne hemorragia pós-parto, por exemplo.
Mesmo sem receber informações sobre o que deve ser feito, sem ser “educado” para o parto, o corpo feminino será capaz de realizá-lo, da mesma maneira como realiza qualquer outra função fisiológica sem que haja necessidade de um comando racional para acionar esse mecanismo.

O PARTO É UM EVENTO FISIOLÓGICO
Em seus seminários, o obstetra francês Michel Odent lança sempre a pergunta: “qual é a parte mais ativa em uma mulher em trabalho de parto?” - o cérebro. É ele que comanda todas as contrações uterinas, a intensidade com que acontecem, o ritmo do trabalho; é o cérebro que acionará e liberará no organismo da mulher hormônios que vão além do nascimento em si, agindo na transformação da mulher (e todas as outras fêmeas) em uma mãe. Alguns hormônios atuam não apenas no nível físico, mas também no nível comportamental e emocional, como a prolactina, que ativa o instinto materno, ou as beta-endorfinas que criarão o laço de dependência e cuidado entre mãe e filho.
Há milhares de anos esse mecanismo fisiológico tem permitido que a espécie humana se perpetue. As intervenções médicas nesse processo, contudo, têm acarretado partos difíceis, traumáticos, e com sequelas comportamentais e emocionais, que se mostram seja nas mulheres com depressão pós-parto ou sentindo-se incapazes de cuidarem de seus filhos, seja na instituição de uma sociedade mais violenta, devido aos seus “novos integrantes” não terem recebido doses de hormônios previstos pelo cérebro.
Hormônios sintéticos (utilizados para induzir e/ou acelerar o trabalho), analgésicos, epidurais, ou mesmo condições externas como luz forte, por exemplo, podem interferir nessa rede hormonal e interromper o encadeamento fisiológico e a seqüência do trabalho. Hormônios sintéticos causam efeitos físicos em determinada parte do corpo, mas não atuam no comportamento como os hormônios produzidos pelo próprio cérebro, além de possuírem uma ação isolada, não sendo regulados de acordo com o que está acontecendo no resto do corpo da mãe e do bebê.

HORMÔNIOS NATURAIS X HORMÔNIOS SINTÉTICOS
Quando é ministrada ocitocina sintética a uma mulher durante o trabalho de parto, o número de receptores de ocitocina no útero é reduzido pelo corpo para prevenir uma estimulação em excesso. Isso significa que a mulher tem maiores riscos de hemorragia pós-parto, pois sua própria liberação de ocitocina, crítica nesse momento para contrair o útero e prevenir a hemorragia, será inútil devido ao baixo número de receptores.
A ocitocina materna atravessa a placenta e entra no cérebro do bebê durante o trabalho, agindo para proteger as células cerebrais fetais “desligando-as”, e diminuindo o consumo de oxigênio em um momento em que os níveis de oxigênio disponíveis para o feto são naturalmente baixos. A ocitocina sintética, porém, não tem a capacidade de atravessar a parede placentária, e não atingirá o organismo do bebê.
Outro efeito da ocitocina sintética é que as contrações produzidas por ela podem acontecer muito próximas umas das outras, impedindo que o bebê se recupere da pressão sofrida pelo útero. Em condições normais, o cérebro da mãe libera a ocitocina por meio de pulsações, e como os dois organismos – mãe e bebê - estão em comunicação durante o trabalho de parto por meio do fluxo sanguíneo comum, o cérebro conseguirá “ler” o nível de catecolaminas liberada na corrente sanguínea pelo bebê, regulando a intensidade e o ritmo das contrações de acordo com o nível de estresse vivido pelo bebê e pela mãe.
Os níveis de todos os hormônios presentes no momento do parto são regulados de acordo com o andamento do trabalho e do estado físico em que se encontra a mãe e o bebê. A alteração de um só elemento desestrutura toda essa delicada rede, cujas conseqüências se estendem para o pós-parto, o aleitamento e a relação emocional entre mãe e filho. Nos momentos finais da preparação do bebê para o nascimento, os hormônios atuam para amadurecer os pulmões e regular o sistema termogênico (regulação térmica) do recém-nascido.

OS DANOS CAUSADOS POR INTERFERÊNCIAS NO SISTEMA HORMONAL DO PARTO
Durante o período pré-natal, o cérebro do bebê está mais vulnerável a danos irreversíveis e estudos indicam que substâncias ministradas por volta da hora do parto, mesmo em pequenas doses, podem causar efeitos colaterais na estrutura do cérebro e na química do recém-nascido que talvez não sejam claros até a idade adulta.
Os medicamentos ministrados à mãe entram imediatamente na corrente sanguínea e vão igualmente ao bebê, e alguns desses medicamentos serão absorvidos preferencialmente pelo seu cérebro. A meia-vida das substâncias ministradas (ou seja, o tempo que se leva para reduzir em 50% o nível do medicamento da corrente sanguínea) é muito maior no organismo do bebê após o corte do cordão umbilical. A buvicaína, por exemplo (medicamento derivado da cocaína, usado como anestésico local), tem uma meia-vida de 2,7 horas no organismo adulto, mas cerca 8 horas em um bebê recém-nascido.
Os medicamentos utilizados em procedimentos de rotina nos partos continuam agindo no corpo da mãe e do bebê por horas após o parto, fazendo com que a mãe esteja sedada no momento de seu primeiro encontro com seu filho, e que o bebê nasça sob efeito dessas drogas, o que causa um imprinting químico no seu cérebro. As consequências desse fenômeno poderão ser percebidas na vida adulta como tendência física em reviver tal sensação experienciada no parto, causada por essas substâncias anestésicas. O "imprinting" previsto pela natureza para o cérebro do bebê neste momento seria aquele realizado pela ocitocina produzida pelo cérebro da mãe e do bebê durante um trabalho de parto sem interferências.
Para que o trabalho e o parto aconteçam de forma ideal, algumas medidas simples podem ser tomadas, que permitem que o sistema límbico (parte primitiva do cérebro, comum a todos os mamíferos) faça o trabalho de produção dos hormônios necessários ao parto e ao imprinting no cérebro da mãe e do bebê. O neo-córtex humano - a parte mais racional e moderna do cérebro, que quando em ação impede o perfeito funcionamento dos comandos do sistema límbico, que comanda as funções fisiológicas previstas para o parto - é estimulado por luzes fortes, pela construção de um raciocínio por meio da linguagem, pelo frio (libera adrenalina), e pela sensação de estar em risco. Evitar todos esses fatores é a condição básica para que o parto seja facilitado, e que o corpo coloque em ação o modelo fisiológico previsto para um parto seguro e prazeroso.

Por Letícia Koehler
Foto Rosevania Silva

Vídeo do Período Expulsivo

O expulsivo é o período do parto em que o bebê efetivamente nasce. Para fazer isso, ele precisa girar, pois o canal de parto não é um tubo reto, e sim um caminho tortuoso e cheio de obstáculos. O vídeo abaixo mostra como o feto gira e se encaixa na pelve para então nascer: 



Inspirações indianas para o puerpério



Mas pensando em maternagem, o que mais mais me marcou foi o respeito com a grávida e com a puérpera. Não esse respeito básico que temos por aqui: assento preferencial, não espera na fila… não, é  muito mais que isso. É quase uma reverência.
E olha que a Índia é um país extremamente machista, culturalmente machista. As indianas, ainda nos dias de hoje, andam atrás dos maridos, em muitas famílias elas só sentam para comer depois que eles terminaram. Não têm os mesmos direitos que os homens, são assediadas nos ônibus, e frequentemente violentadas. (Cabe um parêntesis aqui: a indiana, no geral, é super discreta: usa roupas longas, que cobrem todo o corpo, tem olhar tímido, fala baixo, ri baixo. Pra gente ver que a violência sexual contra a mulher  não depende de como ela se veste ou se porta, mas sim de quão machista é a sociedade em ela que vive!)
Mas a  mulher grávida e a puérpera estão a salvo. E o trato com elas é diferenciado. Arrisco dizer que até elas próprias têm mais respeito por si mesmas e pelos sinais do seu corpo do que nós ocidentais.
Na família tradicional indiana, em grande parte das vezes o casamento é arranjado. Hoje em dia menos, algumas mulheres mais independentes como a minha professora de Ayurveda a Dra. Sapna, casam pela sua própria escolha. A gente vive vendo em filmes dramas em cima disso, mas lá nem é tão assim! Conversando com várias indianas jovenzinhas, elas até acham bom. Elas acham que seus pais podem sim fazer escolhas boas para elas. E que o casamento começa morno, com o casal se conhecendo, surge a amizade, o respeito, o amor nasce, a paixão também e coisa ferve. Elas acham que aqui no ocidente casamos na fervura e logo a água esfria….. kkkkk…. é um ponto de vista, né? Enfim, há de se respeitar pontos de vista. Quando se viaja para conhecer e aprender com outras culturas, não cabem julgamentos.
Enfim, depois que casam, as esposas vão morar na casa da sogra, junto com a família do marido. Isso não deve ser fácil, dependendo da família, aí sim o drama pode ficar maior. Mas quando está gravida tudo cessa: as brigas, os desentendimentos, o trabalho pesado. A gravida é poupada de tudo. É poupada dos problemas triviais, dos filmes de terror, dos noticiários, do alimentos que não sejam frescos, ou seja… tudo, tudo, tudo que possa interferir de uma forma ruim na gestação. Nem sair de casa, elas não saem à toa. Precisa ter um motivo bem grande pra sair grávida nas ruas da Índia e pegar um ônibus ou rickshaw. É muito fusuê, muita gente, muita buzina, muita fumaça de diesel e tudo isso perturba a grávida e o bebê, seriamente.
Quanto ao parto, a maioria das indianas tem seus partos em hospitais, como aqui. Nem de longe com os índices de cesarianas como os nossos. Nos vilarejos mais distantes e de difícil acesso devem acontecer muitos partos em casa… isso não tive com checar ou  vivenciar, uma pena…
Mas quando o bebê chega… tudo muda para aquela mulher. Primeiro que ela volta para a casa da sua mãe, para receber os cuidados dela, de suas irmãs, primas e cunhadas. Faz-se uma verdadeira egrégora. (este termo é perfeito para descrever esse fato: Egrégora, ou egrégoro para outros, [do grego egrêgorein, Velar, vigiar] É o somatório de energias físicas, emocionais e mentais de duas ou mais pessoas, quando se reúnem com qualquer finalidade. – não é lindo?) Forma-se uma conjunção de energia feminina, com a força da natureza feminina e da Grande Mãe, apenas para atender aquela mulher.

Não, ninguém vai lá na casa dela só para conhecer o bebê e deixar a mãe recém-nascida aflita em ser uma boa e simpática anfitriã. Ela não recebevisita. Recebe ajuda. Quem vai lá vê-la, seja parente ou amigo(a), leva uma refeição, faz uma massagem em seus pés, cuida do bebê por um tempinho para que ela possa dormir.
Ela e o bebê são instalados no melhor cômodo da casa, a mãe é alimentada com refeições ricas em leite, em ervas que promovem a involução do útero, a descida e a  qualidade do leite materno. É massageada diariamente com óleos com o mesmo propósito, é banhada, tem todas as suas necessidades atendidas. É poupada das atividades domésticas: não precisa lavar a louça, varrer o chão, sair de casa para resolver coisas.  Tudo isso para que, nestes primeiros 40 dias de puerpério, ela possa recuperar as energias que se esvaíram com o esforço do parto, que ela possa amamentar, criar vinculo com o seu bebê e se preparar para retomar a sua vida cotidiana depois. Para estar energeticamente recuperada também, ao retornar para a vida a dois.
Isso tudo pode soar um tanto louco para nós, mulheres ocidentais workaholics, dominadoras, independentes… mas, peralá! Será que, durante o puerpério não temos o direito de desacelerar um pouco? Ou pior, será que não conseguimos desacelerar? Ou não conseguimos pedir ajuda? Porque não ficar meio indiana nesta fase e buscar ser poupada e poupar-se?
Porque o mundo ocidental exige demais: que as finanças não mudem, que o nosso corpo retorne rapidamente ao que era antes, que retomemos rapidamente a vida social, que voltemos às compras, ao mercado, ao banco, que continuemos dando conta da casa. Mas será que durante a gestação e puerpério é a melhor época pra isso tudo? As exigências do mundo ocidental não incluem o bebê, muito menos priorizam o cuidado com a puérpera. Como se nada tivesse mudado com o parto, como se o bebê fosse apenas uma novidade, tipo, dessas comuns. Como se a mulher fosse ser a mesma depois de ser mãe, como se a vida não mudasse e nós não precisássemos de um tempo para nos adaptarmos a uma nova realidade.
Pensa: quais as chances de uma mulher amamentar livre demanda se não tem sossego nem descanso? Se se alimenta com pressa, se tem um computador entre ela e seu bebê, se tem outras preocupações senão ser mãe, se tem tantos outros focos que não o bebê.
Merecemos nos dar o direito de parar e CURTIR o puerpério. De ter uma fase de readaptação, de recuperação de energias. De fazer com que este seja um período bom, de  união de forças femininas. De curtir no sentido mais amplo da palavra, acolhendo todos os sentimentos e emoções que surgirem. Bons ou ruins. De ser apoiada, amparada, ajudada.
Que nós consigamos nos permitir!

INDA2010-00139


Fonte :Vila Mamífera